Polícia indicia 2 médicos e mais 3 por mortes após erro na quimioterapia na Santa Casa

Com a finalização dos inquéritos que apontam que a troca de medicamentos em bolsas quimioterápicas ocorridas em julho do ano passado no Hospital Santa Casa de Campo Grande foi a causa da morte de Carmen Isfran Bernardes 48 anos, Norotilde de Araújo Greco, 72, e Maria Glória Guimarães, 61 e Margarida Isabel de Oliveira, 70, cinco pessoas, sendo dois médicos, duas enfermeiras e o farmacêutico responsável pelo acidente serão indiciados pelo caso.

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Delegada Ana Claudia Medina Foto Luana Campos

O médico José Maria Ascenso, sócio proprietário do setor oncológico da Santa Casa, por homicídio doloso e lesão corporal grave, já que, segundo a delegada responsável, Ana Claudia Medina, mesmo sem intenção de matar ele assumiu o risco ao deixar que o setor funcionasse fora de todos os procedimentos operacionais padrão.

O farmacêutico Rafael Castro Fernandes e o médico assistente Henrique Uezer Ascenso foram indiciados por homicídio culposo.

A enfermeira Rita de Cássia Cunha responderá pelo crime de falsidade ideológica, uma vez que ela lançava de forma irregular os formulários dos procedimentos que não eram realizados por ela baseada somente nos prontuários médicos. Para a delegada esse foi um dos pontos que dificultaram as investigações, porque as informações não são consideradas confiáveis.

E ainda a enfermeira Giovana de Carvalho Penteado, que responderá por exercício irregular da profissão. Penteado também realizava os procedimento de manipulação de quimioterápicos que é função exclusiva dos farmacêuticos e ainda foi a responsável pelo treinamento de Rafael para a função.

Medina esclareceu que os responsáveis sabiam que Rafael não tinha afinidade com a a prática, porque sua experiência era com outro tipo de manipulação e mesmo assim o contrataram para trabalhar no horário de maior demanda do setor sem tempo hábil para se adaptar a rotina ou treinamento adequado.

O farmacêutico estava completando sua terceira semana no local quando cometeu o erro.

Para Marta Insfran, irmã da vítima Carmen Isfran, os responsáveis quiseram se isentar da responsabilidade ao colocar a culpa das mortes na doença, “nenhuma delas morreu de câncer. Miha irmã tinha 80% de chance de cura, ela não tinha metástase. Esse erro ocorreu porque eles quiseram economizar ao invés de contratar um especialista”, afirmou.

Luana Campos

 

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