Polícia entrega “caso Mayara” com acusação total ao ‘namorado’ e indiciamento aos amigos

Lúcio Borges

ENCARCERADO – O assassino de Mayara: “À noite, eu grito por Deus” (Jefferson Coppola/VEJA)

O inquérito do assassinato da musicista Mayara Amaral, 27 anos, foi encerrado e apresentado na manhã desta segunda-feira (7) ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). O principal acusado é o também musico-baterista, Luís Alberto Bastos Barros, 29 anos, que estava a um mês em um relacionamento com a jovem. Ele matou e tentou se livrar do corpo sozinho, cometendo um Feminicídio (crime sobre e contra o gênero), agravado ou como principal ato, em um latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver, como acabou sendo indiciado ante a conclusão e pedido da Polícia Civil, que entregou hoje, o relatório do inquérito ao MPMS contra o baterista. O rapaz, que até acabou por ser assassino confesso, mas mudou mais de uma vez a versão dele sobre o crime, como fez até em entrevista para revista Veja neste fim de semana.

O rapaz irá responder por mais crimes e sendo o autor dos mesmos, que ocorreu a duas semanas, sendo acompanhado por mais dois amigos, como consta em todas nossas reportagens, que também foram indiciados, mas por ações de menor poder criminal. A conclusão e pedido da PC, aponta que Luís Alberto, em primeiro depoimento à polícia, disse que o amigo Ronaldo da Silva Olmedo, de 30 anos, foi quem teve a ideia de matar Mayara e também de atear fogo ao corpo dela. Ele ainda sustentava, que ambos haviam realizado o crime, que após, fora do motel, teve participação de um terceiro, Anderson Sanches Pereira, 31 anos.

Contudo, de acordo com investigações e contradições, a polícia concluiu que o suposto comparsa, Ronaldo, conhecido como “Cachorrão” na verdade, ficou com parte dos objetos roubados de Mayara em troca de drogas. Assim, ele foi indiciado por tráfico. Já Anderson, foi indiciado por receptação, uma vez que, conforme apurou a polícia, comprou o carro da vítima, depois do assassinato.

Para chegar à conclusão, a polícia tomou como base as imagens das câmeras de segurança do motel, onde o homicídio aconteceu na noite do dia 25 de julho, e de outros locais onde o músico esteve. As rotas traçadas pelo serviço geolocalização do celular de Mayara também foram determinantes.

Musicista foi morta com golpes na cabeça – Foto: Reprodução / Facebook

Latrocínio – Apesar do clamor popular, que de inicio “exigia” / pedia para que Luis Alberto, fosse enquadrado por feminicídio, a polícia manteve a tese de que o baterista matou para roubar. O Latrocínio foi o principal até também para manter uma maior pena, que é imposta pelo crime até 30 anos de condenação, ante ao atual crime de gênero,q eu imputa 20 anos.

A PC inclusive destacou que os bens de Mayara que estavam com o assassino confesso estão avaliados em R$ 17,3 mil – um notebook, um celular, um violão, uma guitarra, um aparelho amplificador e o VW Gol, modelo 1992. Além disso, o exame feito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) não comprovou estupro.

Em tese, grupos ligados aos Direitos das Mulheres, que lutam contra o Feminicídio, até concordam, mas gostariam que fosse registrado o crime de gênero, também entre o ato cometido. Familiares e grupo, que até realizaram na última sexta-feira (4), ato em memória de Mayara e contra Feminicidio, em Campo Grande e São Paulo, pedem que fosse registrado no processo o Feminicidio, também pela circunstâncias e para mostrar a realidade das mulheres.

Versões – Depois de ficar em silêncio quando foi convocado para depor pela delegada Gabriela Stainle na quarta-feira (2), ele falou à revista Veja no dia seguinte, admitindo que tinha feito tudo sozinho, num rompante de raiva após uma discussão com a vítima e após beber e usar cocaína.

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