Polícia Boliviana levanta hipótese de “acerto de contas” para morte de brasileira

Priscila Franco da Silva, de 26 anos, pode ter sido vítima de narcotraficantes da fronteira. É o que apontam investigações preliminares da Polícia Boliviana de Puerto Quijarro. A bolsa de mão, mala e demais pertences dela não foram roubados, sendo levados documentos pessoais e uma possível quantia em dinheiro. De acordo com o coronel boliviano Hugo Justiniano Añez, comandante de Fronteira, a Polícia Boliviana está investigando o caso desde o momento em que soube do crime.

Priscila estava grávida de sete meses e estava pela segunda vez na Bolívia Reprodução/Facebook
Priscila estava grávida de sete meses e estava pela segunda vez na Bolívia Reprodução/Facebook

No entanto, ele afirmou ao Diário Corumbaense que não pode adiantar nada sobre a investigação, mas acredita que, pelas características do delito e a forma como o corpo foi encontrado, não está descartada a possibilidade de narcotraficantes terem cometido o assassinato.

Para o coronel Añez, a mulher já havia sido morta há cerca de doze horas quando o corpo foi localizado. Há indícios de que Priscila foi torturada, pois foi encontrada de bruços e com as mãos amarradas. Para o coronel, ela provavelmente foi morta em outro local e jogada no matagal para despistar a polícia. “A hipótese que levantamos é que ela pode ter sido assassinada na noite de quinta-feira (07) ou na madrugada da sexta-feira (08)”, disse. Ele explicou que a polícia tomou conhecimento do crime através de uma pessoa que passava pelo local, avistou a vítima e avisou. Depois disso, a Polícia Boliviana entrou em contato com a Polícia Federal e Polícia Militar de Corumbá.

O coronel Hugo Justiniano Añez afirmou que vai colher o depoimento do marido de Priscila para poder dar continuidade às investigações. Segundo Justiniano, a Polícia Boliviana fez requerimento à Polícia brasileira para que ela confirme se Priscila tinha ou não antecedentes criminais. “Se ela tiver antecedentes na polícia brasileira, não se descarta um acerto de contas”, afirmou o coronel. Para ele, se fosse roubo, teriam levado os objetos que estavam com ela, mas reiterou que essas são ainda suposições, pois as investigações prosseguem.

O marido de Priscila, Thiago Henrique Batista Ferreira, de 29 anos, disse que conversou pela última vez com a esposa pelo telefone no final da tarde da quinta-feira (07), e não teve mais contato com ela. Ele reafirmou que ela veio até a fronteira, pela segunda vez, para comprar roupas para revenda. “Não tem lógica isso. Minha mulher saiu daqui com dinheiro para fazer compras e trazer roupas para revender aqui em Campinas”, frisou. Na tarde desta segunda-feira (11) Thiago se preparava para vir a Corumbá e cuidar dos procedimentos para o translado do corpo.

O corpo da brasileira foi transferido para Santa Cruz de la Sierra no final de semana, pois naquela região não há câmara fria. Para sua preservação, ele foi encaminhado àquela cidade, que fica a pouco mais de 600 quilômetros da fronteira com Corumbá. Lá, os médicos irão realizar autopsia na mulher que estava grávida de sete meses.

Jaime Gallardo, diretor do Hospital Municipal Príncipe de Paz, em Puerto Quijarro, para onde o corpo foi inicialmente levado, afirmou a este Diário que o médico legista chegou a realizar alguns exames na vítima, mas não a avaliou internamente. Pelo exame, ficou constatado que Priscila sofreu violência sexual, agressões na nuca e nas costelas. Não foi identificada nenhuma marca feita por arma de fogo ou objeto perfuro-cortante, mas constatou-se o estrangulamento.

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