PMDB não pode ficar no governo até véspera da eleição

O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a defender o rompimento do seu partido com o governo e disse que a sigla não pode ficar na base aliada até a véspera das eleições de 2018, quando pretende lançar candidato próprio à Presidência da República.

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) - Foto: Antonio Cruz/ Agencia Brasil
Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) – Foto: Antonio Cruz/ Agencia Brasil

“O que não tem condição é achar que o PMDB vai ficar no governo até o último dia antes das eleições e depois sair com candidatura própria para criticar um governo do qual faz parte. Já fiz minha pregação política, minha militância partidária. Vou pregar no Congresso que o PMDB saia do governo”, disse nesta quarta-feira (22).

A declaração foi dada antes da missa que precedeu o enterro do ex-prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, morto na última terça (21).

Cunha hesitou em comentar as críticas feitas pelo governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), à sua decisão de romper com o governo. Na semana passada, o governador escolheu ficar do lado do governo, disse que é “solidário à presidente” e defendeu as apurações da Lava Jato.

“Pezão passa por dificuldades [financeiras] aqui no Estado. É natural que queira manter o vínculo [com o governo federal]. Na eleição passada, o PMDB do Rio ficou muito dividido. Pezão ficou de um lado e grande parte do PMDB, do outro. As divergências são normais entre companheiros. Não vejo problema e não fiz isso [rompimento] buscando apoio de quem quer que seja”, afirmou Cunha.

LAVA JATO

O presidente da Câmara se recusou a comentar seu envolvimento no esquema investigado pela Lava Jato, afirmando que apenas seu advogado falará sobre o assunto. consultor da Toyo Setal e delator na operação, o lobista Julio Camargo acusa o deputado de ter pedido a ele R$ 5 milhões em propina em um contrato de navios-sonda da Petrobras.

Cunha opinou ainda sobre as possíveis consequências da redução da meta fiscal pelo governo, afirmando que a medida, isolada de outras iniciativas, manda um mal sinal ao mercado.

“Se [o governo] mostrar que reduziu [a meta] agora mas que vai, nos próximos anos, ter condições de ampliá-la, o mercado reagirá bem. Se vir que apenas reduziu porque não teve condições de cumprir e o futuro é incerto, o mercado certamente vai reagir mal. O que está acontecendo é que a economia retraiu em função do chamado ajuste e pela crise de confiança que afasta investimentos do país”, disse.

Cunha falou ainda sobre a avaliação do TCU sobre as contas do governo federal. “O problema do TCU é que um órgão de assessoramento do poder legislativo. Qualquer que seja seu parecer será apreciado pelo Congresso, que dá a palavra final. O parecer técnico é relevante, mas o mais relevante vai ser a decisão do Congresso.”

Folha.com

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