PMDB não consegue convencer André a aceitar candidatura

As novas prisões da Operação Lama Asfáltica teriam desmotivado o ex-governador André Puccinelli (PMDB) de disputar a Prefeitura de Campo Grande. Considerado peça-chave do partido para a campanha eleitoral deste ano, o político ganhou sobrevida logo após a soltura do ex-deputado federal Edson Giroto (PR), secretário de Obras em seu governo.

André em frente a Superintendência da Polícia Federal (Foto: Divulgação )
André em frente a Superintendência da Polícia Federal (Foto: Divulgação )

André até ensaiou aceitar o convite da cúpula do PMDB, correligionários e aliados para entrar na disputa pela cadeira do prefeito Alcides Bernal (PP), mas logo recuou após ser flagrado por repórteres da Capital em reunião organizada pelo empresário Antonio João Hugo Rodrigues com Giroto, recém saído da cadeia, e com o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB).

Apesar de negar o encontro, alegando que apenas participaria naquele dia de uma entrevista no jornal Correio do Estado, o ex-governador teria decidido desistir de vez da disputa, o que deve ser confirmado por ele na reunião desta segunda-feira (11), prevista para as 14 horas, na sede do diretório regional.

Por causa disso, o PMDB corre o risco de não participar diretamente das eleições, devendo apoiar outro projeto político. Sem opção viável, o grupo está sendo assediado pelo PSDB do governador Reinaldo Azambuja, mas pode tomar outro caminho.

Particularmente, André ainda não se manifestou sobre a possibilidade de o seu partido apoiar a candidata do PSDB, vice-governadora Rose Modesto. Por enquanto, os peemedebistas estão em fase de conversações com Reinaldo, segundo admitiu o presidente regional do partido e presidente da Assembleia Legislativa, Júnior Mochi.

Outro entendimento no partido seria apoiar Nelsinho Trad, que também encontra-se em situação delicada depois que teve seus bens penhorados pela Justiça.

PRISÕES

Há dias, a Polícia Federal prendeu, entre outros, Edson Giroto e João Amorim, acusados de desvio milionário de dinheiro público durante o governo do PMDB, como parte da terceira fase da Operação, denominada Aviões de Lama.

No entanto, os dois envolvidos foram soltos de imediato. Preso na terceira fase da operação Lama Asfáltica, Amorim teve o pedido de liberdade concedido na sexta-feira (8) pelo TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). O advogado dele, Alberto Toron, entrou com habeas corpus e a medida liminar foi concedida pelo desembargador Paulo Fontes.

No sábado (9), a Justiça liberou o último preso da operação, o empresário Flávio Henrique Scrocchio, cunhado de Giroto, que foi solto naquela madrugada.

Nesta nova fase, deflagrada no último dia 7, a investigação apura a venda de bens, como aviões, para dificultar a ação da polícia e do Ministério Público Federal.

A PF indicou que o dinheiro obtido nessas transações estavam sendo distribuídas entre diversas pessoas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

De acordo com a PF, o grupo suspeito de desviar recursos públicos, inclusive federais, atua no ramo de pavimentação de rodovias, construções, prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica. Os contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões.

O motivo do nome da operação é em razão do modo de se desfazer da aeronave, já que o grupo utilizou de recursos públicos desviados de contratos de obras públicas, fraudes em licitações, recebimento de propinas e crimes de lavagem de dinheiro.

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