PMDB de MS forma 51% dos diretórios a favor do rompimento com Dilma

Partido recebeu há duas semanas em MS, o presidente nacional e vice presidente da Republica, Michel Temer
Vice-presidente da Republica, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, veio a MS há duas semanas em campanha reeleição a direção nacional

A crise do governo federal pode se agravar com a saída praticamente certa do PMDB da base aliada, que será definida nesta terça-feira (29), mas já tem 51% da sigla aprovando a retirada dos pemedebistas da atual coalizão governista e o fim da participação direta no governo, que vinha desde as duas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há 14 anos, e que se consolidou com a sigla tendo a vice-presidência e inúmeros ministérios e cargos na administração da presidenta Dilma Rousseff.

O partido com 27 diretórios, está com 14 favoráveis, incluindo a decisão da sigla de Mato Grosso do Sul, que votará em peso ou unânime pelo rompimento com Planalto e ainda apoiará o processo de impeachment da presidenta. O diretório do Rio de Janeiro, com maior bancada e grande influência, nesta sexta-feira (25), é o mais recente a oficializar o rompimento por meio da direção estadual. Contudo, com a maior bancada do país, a legenda carioca seguirá bem dividida a convenção, pois conta com governistas influentes e que mantêm grupo ‘fechado’.

O PMDB de MS, já vinha há algum tempo com boa parte de seus membros, trabalhando pelo rompimento, que foi ratificado oficialmente pela direção estadual no último sábado (19), conforme carta divulgada pelo Página Brazil e por toda imprensa. Conforme informações, o diretório regional vai para a convenção do partido terça-feira, com 21 votos de 13 convencionais (quase a maioria tem direito a dois votos), que defenderão a saída da base de sustentação no Congresso, bem como o afastamento da presidente.

O partidão, que detém maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, até hoje tem a metade mais um, os 14 diretórios, e pode tomar a decisão de sair por maioria simples, mas segue ainda dividido, pois outros 13 diretórios não apontam decisão de romper oficialmente. “O partido vai fracionado para convenção”, disse o líder no Senado. Além de que, a postura pessoal de cada parlamentar, em alguns Estados, deve influenciar entre ficar e sair do governo ou votar contra ou a favor, independente da decisão. Este é o caso do Rio de Janeiro, o mais recente diretório a oficializar a saída do governo, por decisão da direção estadual. Mas com a maior bancada, a posição ficará dividida pois há governistas convictos e que defendem o Governo com “unhas e dentes”, como é próprio líder do partido na Câmara, Leonardo Picianni, dentre outros.

Negociações difícil, com MS quase sempre do lado oposto

A situação de racha ou discordância de grupos não é novidade no PMDB, mas desta vez se acentuou e no mínimo ficará com dois lados. E nem mesmo, o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, consegue mais controlar a revolta dos correligionários do partido com o governo ou vice-versa dos governistas com o próprio partido. A presidente Dilma buscou o ex-presidente Lula para ajudá-la a segurar o PMDB na base e salvar o seu mandato. Mas, nem isso melhorou e não está sendo missão fácil, porque o Planalto e Lula tiveram a reação negativa de parte do País com a nomeação do ex-presidente para o Ministério. Como ainda há muitos outros obstáculos no meio do caminho para conter a insatisfação dos peemedebistas.

Os membros do PMDB e parlamentares do MS, até pelas divergências e disputas no Estado com o PT, em geral, direta ou indiretamente, agiam independentes ou contrários ao Planalto. Como ainda, em alguns casos, como do deputado Carlos Marun, partia para o confronto e por fim se aliou e defendia o maior desafeto e pedra no sapato do governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha do Rio.

Há tempos, mesmo que mais diplomática, a senadora Simone Tebet defende decisão rápida para o rompimento. O então pemedebista até a semana passada, Geraldo Resende, agora no PSDB, votava ora a favor, ora contra, mas em grande parte tinha um discurso critico ao governo petista. Agora tucano, passará automaticamente a oposição ostensiva.

O senador Wlademir Moka, era o mais discreto e sem definições ou aparições mais ostensiva contra ou a favor do governo. Já o maior líder no MS, o ex-governador André Puccinelli, que fez campanha e até defendia a fada madrinha Dilma, não se posicionou pessoalmente, mas aprovou e acompanha decisão do partido pela saída do governo.

Matéria: Lúcio Borges

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