Plantio de soja chega a 68% em MT; produtores se preparam para chuva na colheita

O plantio de soja em Mato Grosso, principal Estado produtor do país, saltou esta semana para 67,7 por cento da área total prevista, avanço de 25,5 pontos percentuais em apenas uma semana, com a ajuda de chuvas em todas as regiões do Estado, mas muitos agricultores já avaliam possíveis problemas com o clima na hora da colheita.

O atual ritmo de plantio, que já havia sido apontado como recorde na semana passada, está atualmente muito adiante do fim de outubro de 2015, quando o índice alcançava 38 por cento, informou nesta sexta-feira o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo produtores, as chuvas têm sido propícias para os trabalhos no Estado e ninguém quer deixar para semear depois, principalmente após problemas registrados no calendário de plantio da temporada passada, devido à falta de chuvas generalizadas.

Contudo, com tantas lavouras plantadas ao mesmo tempo, cresce o risco de uma concentração da colheita, que deverá ser realizada principalmente ao longo do mês de fevereiro, quando há previsão de chuvas abundantes.

A umidade excessiva quando a soja está pronta para a colheita prejudica a qualidade dos grãos e diminui consideravelmente o valor que as empresas pagam pelo produto.

“Vai ter chuva na colheita… Vai ter uma semana complicada, uma semana mais seca, uma semana mais complicada, em todo o Centro-Oeste”, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima.

Com este cenário, uma estratégia que muitos agricultores estão utilizando, mas para a qual não há uma estatística precisa, é o uso planejado de sementes com diferentes ciclos de vida. Há variedades precoces que podem ser colhidas com cem dias ou menos, após a semeadura, e outras que demoram 120 dias para amadurecer.

“A gente faz o jogo com as variedades. Estamos escalonando bem, está todo mundo antenado. Até porque não dá para ficar reclamando depois”, disse o agricultor Felisberto Dornelles, que planta soja em Marcelândia, no norte de Mato Grosso.

A despeito das estratégias de plantio, não podem ser descartados problemas no momento da colheita. Uma opção será deixar todo o maquinário a postos, para aproveitar qualquer janela de tempo seco.

“A colheita tem muita máquina alocada. O pessoal vai ter que se adequar. É um olho na colheitadeira e um olho na previsão climática”, disse Ribas, da Aprosoja.

Os agricultores lembraram também que a colheita de uma soja em momentos de chuva intensa, além dos possíveis problemas de qualidade dos grãos, também pode gerar dificuldades logísticas. Os carregamentos acabam sendo levados para silos que tenham secadores e nestes locais é comum a formação de filas, o que atrapalha todo o planejamento de escoamento da produção.

O Brasil deverá colher um recorde de 102,8 milhões de toneladas de soja em 2016/17, segundo pesquisa da Reuters publicada na quarta-feira. Cerca de um terço da produção nacional é proveniente de Mato Grosso. (Reuters)

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