PL proíbe venda de narguile a adolescentes mas não assusta donos de tabacarias

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Cachimbo egípcio comumente usado por pessoas mais velhas virou moda entre os jovens. Foto: Luana Campos

Preocupação para órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o narguile, cachimbo egípcio usado para fumar tabaco, é cada vez mais utilizado entre jovens do mundo todo. Dados divulgados pela Conferência Mundial do Tabaco em março deste ano, mostram que apenas em São Paulo nos últimos 5 anos, o número de adeptos aumentou em 37%. Por possuir sabor e odor menos fortes que o do cigarro o narguile é tido pelos usuários como uma alternativa menos nociva a saúde.

A crença é contestada por médicos da OMS que afirmam que 1 sessão de narguile equivale a fumar de 20 a 30 cigarros por conta do índice de monóxido de carbono. Em Campo Grande, um projeto de Lei que proíbe a venda do cachimbo e de todos os seus componentes – essências, fumo, tabaco e carvão vegetal – passou por aprovação em primeira votação nesta terça-feira (9) na Assembleia Legislativa.

O empresário Bruno Rocha (23) montou uma tabacaria há 1 ano nas imediações da orla morena e afirma que não acredita que a PL vá interferir nas vendas. “Aqui eu só vendo para menor de idade se estiver acompanhado dos pais, a minha única preocupação é se proibirem de fumar em locais públicos porque o pessoal compra aqui e vai fumar na Orla”, explica. Fumante há 8 anos ele conta que trocou o cigarro pelo narguile, “o cheiro não fica impregnado e a gente não fuma aquele monte de químicos, só o tabaco”.

O vendedor e estudante de comunicação visual, Wellington Guimarães também deixou o cigarro pelo cachimbo que filtra a fumaça na água.

Alberto Jamil, sócio de uma tradicional tabacaria na Capital, acredita que as regulações estão acontecendo por conta da expansão do mercado, “as grandes companhias perderam 30% das vendas no mundo porque as pessoas pararam de fumar e além disso o cigarro está cada vez mais caro”.

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Em muitas tabacarias a legislação já é seguida mas donos não acreditam muito em fiscalização efetiva. Foto: Luana Campos

Descendente de sírio libaneses, Jamil acredita que os jovens brasileiros deturparam a tradição milenar, “A pessoa que fuma arguile não fica com pigarro, não mancha os dedos, não fede, mas eu não vou mentir, esses benefícios são comparados ao cigarro”. Ele vê com bons olhos a prerrogativa da não venda para adolescente, mas duvida que a fiscalização funcione, “o cigarro também é proibido mas a gente vê um monte de menor fumando”. Segundo Jamil, muitos pais vão até sua tabacaria comprar para os filhos menores de 18 anos porque preferem saber o que eles usam.

Para a biomédica Lorena Yossef (27) a medida é importante porque os adolescentes além de estarem em processo de desenvolvimento físico e podem ficar exposto a prejuízos por não conhecerem a fundo seus riscos à saúde. Ela começou a fumar arguile por influência do noivo árabe, mas conta que só aos fins de semana como um hábito de socialização.

Se a PL for aprovada apenas consumidores que comprovarem sua maioridade, por meio de apresentação de registro de identidade ou documento de identificação pessoal com foto, poderão comprar os narguiles. Em caso de descumprimento da lei, o estabelecimento será multado em R$ 2.127,00 e em caso de reincidência a multa será dobrada. Além disso, uma placa de aviso deve estar fixada avisando da proibição.

Luana Campos

 

 

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