PF desmonta quadrilha que fraudou R$ 1 milhão em pensão de indígenas

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) uma operação no sul de Mato Grosso do Sul para combater uma organização criminosa especializada em fraudes para obtenção de pensão por morte de indígenas.

Equipes saíram no começo da manhã de hoje para cumprimento de mandados - Foto: Divulgação
Equipes saíram no começo da manhã de hoje para cumprimento de mandados – Foto: Divulgação

A quadrilha era chefiada por servidor da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e tinha mais cinco pessoas como integrantes, entre elas um advogado. A estimativa é que o grupo tenha faturado milhões de reais em pelo menos três anos de ações. Dois mandados de prisão preventiva são cumpridos em Amambai e Iguatemi.

Os policiais também cumprem 14 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de condução coercitiva, expedidos pela Justiça Federal, em Ponta Porã.

Segundo a polícia, essa organização lucrou mais de R$ 1 milhão fazendo registros falsos de crianças como se fossem filhos de indígenas que já tinham morrido. A inteção era receber a pensão por morte dos índios.

As investigações apontaram que a quadrilha começou a se estruturar a partir da atuação de um servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai). O grupo tinha esquema logístico de transporte para levar indígenas para confecção dos documentos pessoais e contava também com suporte jurídico de um advogado que pleiteava judicialmente os benefícios.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Felipe Menezes, índias viúvas eram aliciadas e usadas como peças-chave no esquema. Segundo a autoridade policial, os criminosos utilizavam do artifício da possibilidade de registros de nascimentos serem feitos tardiamente para aplicar os golpes. Ele explica, ainda, que indígenas entram na categoria de segurado especial rural. Por isso, há facilidade no pedido para pensões, visto que não é necessária comprovação de arrecadação.

“Procuravam mulheres indígenas que tinham perdido seus maridos e as convenciam do esquema. O servidor da Funai facilitava registros de nascimentos de falsas crianças como se fossem filhas desses homens que já morreram. Com isso, recebiam indevidamente pensões por mortes de um salário mínimo”, contou explicando que caso o bebê não seja registrado no ato do nascimento, o documento pode ser expedido futuramente.

A operação foi denominada de Uroboros, em referência à uma serpente mítica que simboliza o caráter destrutivo da cobiça e da ganância, por engolir o próprio rabo. Cerca de 80 policiais da PF participam da operação em conjunto com o Ministério do Trabalho e Previdência Social, com apoio do Ministério Público Federal.

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