Pesquisadores desenvolvem robô que possui autoconsciência

São Paulo – Um grupo de pesquisadores em robótica do Instituto Politécnico Rensselaer, no estado de Nova York, nos Estados Unidos, colocou três robôs em um teste de autoconsciência.

Sonny, a máquina em crise existencial do filme "Eu, Robô"
Sonny, a máquina em crise existencial do filme “Eu, Robô”

O objetivo era saber se, de alguma forma, as máquinas eram capazes de identificar “quem” ou “o quê” elas são. Para a surpresa dos cientistas, uma delas passou no teste.

O estudo foi feito com robôs Nao, pequenos humanóides fabricados na França e normalmente utilizados em campeonatos e experimentos de robótica ao redor do mundo.

O teste consistia em dar uma “pílula de bobeira” para cada um dos robôs, o que consistia em apertar um botão na cabeça de cada um deles e os impedindo de falar.

Entretanto, nenhum robô sabia qual deles ainda era capaz de emitir sons. Os pesquisadores então questionaram: “quem de vocês tomou a pílula da bobeira?”.

No vídeo divulgado pelo instituto, apenas um dos robôs se levanta e responde: “eu não sei”. Ao ouvir o som da própria voz, ele acrescenta: “me desculpe, agora eu sei. Eu fui capaz de provar que não recebi a pílula da bobeira”.

Isso, segundo os pesquisadores, é um sinal de que o robô conseguiu “se ouvir” e compreender que aquela era a própria voz quebrando a regra do silêncio.

Os autores do estudo, porém, pedem cautela. Segundo eles, o resultado do teste não é um avanço na busca pela “singularidade” — uma máquina capaz de pensar como um ser humano —, mas sim uma prova de como manifestações de consciência nos robôs são limitadas.

Para John Sullins, filósofo de tecnologia da Universidade de Sonoma, que acompanhou o estudo, as máquinas estão apenas “latindo para a árvore certa”.

A programação envolvida no teste, porém, não era tão simples.

O robô precisava entender a pergunta, processá-la, ouvir a própria voz e reconhecer que não se tratava de um som ambiente ou outro ruído, para então relacioná-la à pergunta original e concluir que ele não tomou a tal “pílula”.

O robô foi, de fato, capaz de encontrar uma solução para um problema complexo, mas sua resposta também foi pré-programada.

Isto significa que o sistema das máquinas conseguiu emular com sucesso a consciência humana, mas não reproduzí-la.

Os engenheiros explicaram que nenhum dos andróides seria capaz de reconhecer o próprio reflexo mesmo se estivessem diante de um espelho, por exemplo.

Ou seja, nada de máquinas inteligentes como Sonny, do filme Eu, Robô, circulando entre humanos por enquanto.

Assista:

EXAME

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