Pela 1ª vez, balança comercial fica no azul no acumulado de 2015

A balança comercial brasileira registrou um superávit (exportações menos importações) de US$ 678 milhões na última semana, entre os dias 8 e 14 deste mês, informou o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) nesta segunda-feira (15).

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Na parcial de junho, o saldo está positivo em US$ 2,65 bilhões, de acordo com dados oficiais.

Com o resultado positivo registrado nas transações comerciais na semana passada, o saldo da balança comercial, no acumulado do ano, “virou” e passou a ficar no azul – ou seja, com mais exportações do que compras do exterior.

É primeira vez que a balança comercial fica positiva na parcial de 2015. No acumulado deste ano, o saldo está positivo em US$ 349 milhões. Até a semana anterior, a balança ainda apresentava déficit na parcial de 2015.

O MDIC tem dito que aposta em um saldo positivo para todo este ano, mas, até o momento, ainda não informou em qual valor.

Se isso acontecer, haverá melhora em relação ao ano de 2014, quando a balança comercial brasileira teve déficit (importações maiores do que vendas externas) de US$ 3,93 bilhões, o pior resultado para um ano fechado desde 1998, quando houve saldo negativo de US$ 6,62 bilhões.

Também foi o primeiro déficit comercial desde o ano 2000. O mercado financeiro aposta que a balança terá superávit de US$ 3 bilhões em 2015.

Mês a mês

Em janeiro e fevereiro de 2015, houve déficits de, respectivamente, US$ 3,17 bilhões e US$ 2,84 bilhões. Em março e abril, o saldo ficou positivo em US$ 458 milhões e US$ 491 milhões.

Em maio deste ano, por sua vez, o saldo da balança comercial ficou superavitário em US$ 2,76 bilhões – o maior valor para este mês desde 2012 (+US$ 2,96 bilhões) e, também, o melhor resultado mensal fechado de todo este ano.

O que contribuiu para o superávit no ano

De acordo com informações oficiais, alguns fatores impulsionaram o saldo da balança comercial neste ano. Entre eles, a “exportação”, neste mês, de uma plataforma de extração de petróleo no valor de US$ 690 milhões. Neste tipo de operação, que já foi realizada em anos anteriores, a plataforma não chegou, porém, a sair do Brasil.

Ela foi comprada de fornecedores brasileiros por subsidiárias no exterior e depois “internalizada” no Brasil como se estivesse sendo “alugada”, mesmo sem deixar o país fisicamente. Esse expediente – que é legal e está de acordo com as regras internacionais – permite às empresas do setor recolherem menos tributos. O processo é chamado de “exportação ficta”.

Além disso, o baixo nível de atividade econômica também tem “ajudado” o saldo comercial em 2015. Em maio deste ano, por exemplo, as importações atingiram o menor patamar, para todos os meses, desde dezembro de 2010 – ou seja, em quase quatro anos e meio.

No acumulado deste ano, até este domingo (14 de junho), as compras do exterior recuaram 17,7%, patamar acima da queda de 14,6% nas exportações neste mesmo período.

No início de junho, o diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Herlon Brandão, confirmou que o baixo nível de importações está relacionado com a atividade econômica fraca no Brasil.

“Certamente o menor nível de atividade econômica causa menor demanda por importados. Não tem nenhum fator pontual. É a situação econômica e cambial [dólar mais alto torna as compras do exterior mais caras]”, declarou ele na ocasião.

Outro fator que contribuiu bastante para o aumento do saldo da balança comercial em 2015, junto com o menor nível de atividade, é a queda do preço internacional do petróleo.

Como o Brasil é importador líquido do produto, quando cai o preço do petróleo, há um impacto positivo no saldo comercial. Somente em importações de petróleo, combustíveis e lubrificantes, houve uma queda de 35% até maio, o equivalente a US$ 5,5 bilhões.

G1

 

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