Pedindo suspensão de concurso, Sinpol-MS gera críticas de entidade e candidatos

Lúcio Borges

Foto: Sheila Forato

O Sinpol-MS (Sindicato da Polícia Civil de MS) ao entrar com ação na Justiça para impedir a realização de concurso público para preenchimento de 210 vagas para delegado, escrivão e investigador está sendo criticada pela Adepol-MS (Associação dos Delegado de Polícia em MS) e por candidatos que há anos se preparam para as provas. A entidade que representa os trabalhadores em geral da PC, como o Página Brazil noticiou, entrou com ação judicial para suspender o certame,  por discordar da forma como o documento/edital foi elaborado e até com isso da lisura do processo. Contudo, a ação desta vez encontra reprovação de alguns membros da categoria, como a de maior poder que são os delegados, mais também daqueles que querem ingressar no serviço público da classe da PC.

O Sinpol-MS está desde o último dia 2, em mobilizações para reivindicar aumento salarial para categoria, como a todos servidores públicos do estado, que não devem ter o reajuste em 2017, como vem ocorrendo há dois anos. O sindicato já fez paralisação de alerta, protesto na frente do prédio da governadoria de Mato Grosso do Sul, que foi intensificado no dia 5, com um acampamento na sede do governo, como o Página Brazil noticiou, mostrando ainda que naquele dia recebeu a adesão dos agentes militares – entre policiais e bombeiros militar-. Contudo, o frio, feriados e até mesmo o cansaço, começa a esvaziar o movimento dos policiais civis, que sem ou perdendo a força, no acampamento, se vê mais faixas do que manifestantes, como noticiamos em matéria mais cedo hoje.

A presidente da Adepol-MS, delegada Regina Márcia Mota, é dura na posição. “A ação judicial proposta não tem fundamento jurídico sério, cujo objetivo é qualquer outro e não a defesa da sociedade”, diz ela, afirmando ainda, que “a realização do concurso não gera impacto financeiro algum neste exercício, pois é sabido que da abertura do edital a efetiva contratação e lotação decorre ao menos um ano”, completa Mota.

A delegada assinala ainda, que o concurso é esperado por muita gente, principalmente pelos moradores dos municípios que não contam com delegado, daí a necessidade de se fazer o concurso e garantir a lotação de 23 delegados nessas localidades. Neste concurso estão sendo oferecidas 100 vagas para escrivão, 80 para investigador e 30 para delegado. O salário para os dois primeiros cargos é de R$ 3.888,26 e para delegado, R$ 14.978,26. O prazo para se inscrever vai até o dia 10 de julho e a taxa é de R$ 197,00.

Os que querem entrar

O bacharel em direito Tiago Bandeira está se preparando há cinco anos para disputar uma vaga para delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Enquanto aguardava pelo edital do concurso, disputou em vários outros estados e em alguns foi aprovado. Mas preferiu ficar no Estado e no dia 19 de maio deste ano foi nomeado para o cargo de agente penitenciário. Para ele, o anúncio feito pelo Sinpol preocupa. “Por ser um candidato experiente em concurso, com bagagem nessa área, já enfrentei concurso que foi suspenso quando estava dentro do ônibus, então isso me preocupa muito. Isso prejudica o candidato”, afirma.

Nas escolas preparatórias para concursos públicos, a opinião dos alunos é de que a pretensão do Sinpol-MS entrar com ação pedindo a suspensão do edital não deve prosperar. “Quando o Sinpol soltou a nota gerou uma preocupação dos candidatos, mas depois eles chegaram à conclusão de que a ação não prospera, e o concurso vai ser realizado”, afirma Diego Araújo, coordenador de cursos em Campo Grande.

Nessa mesma linha de raciocínio seguem outros candidatos que, independentemente da ação do Sinpol, pretendem se empenhar ao máximo para conquistar uma das vagas oferecidas, e já procuram muito os ‘cursinhos’ na Capital. “A procura aumentou sensivelmente, muitas pessoas estavam aguardando ansiosamente por esse concurso e hoje, de 80% a 90% da procura é para os cursos preparatórios para o concurso da Polícia Civil”,  conta Onei Fernando Savioli, diretor de escola preparatória.

Segundo Onei, desde a publicação do edital de concurso a procura tem sido grande. Ele diz que há alunos que há um ano estão se preparando para as provas da Polícia Civil. Essa turma tem 100 pessoas e a escola está formando mais duas turmas de 100 alunos.

Ação deixa situação instável

A pretensão do Sindicato de suspender o concurso pode atrapalhar o sonho de centenas de pessoas que moram em outros Estados. É o que diz Alberto Vicente, do Concursos no Brasil, um dos maiores portais de notícias sobre concursos do Brasil. Segundo ele, o Portal tem sido muito procurado para acesso às informações sobre as provas da polícia de Mato Grosso do Sul. Os salários, que segundo ele “são excelentes”, é um dos principais atrativos. “O brasileiro está vivendo um momento de crise econômica preocupante, ainda sem sinal de bonança, e nada mais natural do que buscar oportunidades de trabalho que lhe ofereçam mais segurança”, diz Alberto Vicente.

A forma como foi elaborado o edital de concurso mereceu elogios dos representantes de empresas ligadas a essa área. “Considero extremamente importante quando as organizações dos concursos se preocupam com esse tipo de ‘acessibilidade’ e oportunidade de disputar mais de uma colocação”, pontuou Alberto Vicente.

Ele se refere ao item do edital, que permite que o candidato possa disputar vagas para duas funções, pois as provas serão realizadas, pela primeira vez no Estado, em horários diferentes para cargos diferentes. Mas para isso, é preciso fazer uma inscrição para cada cargo disputado.

 

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