Pavão e Rafaat teriam se unido a pedido de presidente para libertar brasileiro

Em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color, concedida através de permissão judicial, Jarvis Chimenes Pavão, um dos maiores narcotraficantes presos no Paraguai, disse que se for extraditado para o Brasil, ele e os advogados entregarão provas que mostram que o mesmo atendeu pedidos do governo daquele país.

Pavão está preso no Paraguai - Foto: ABC Color
Pavão está preso no Paraguai – Foto: ABC Color

Dentre eles a liberação do brasileiro Arlan Fick, que ficou refém do Exército do Povo Paraguaio (EPP). O jovem ficou junto do grupo guerrilheiro por 8 meses em 2014.

Pavão foi condenado por narcotráfico no Brasil e por lavagem de dinheiro no Paraguai, ele é apontado por tem encomendado a morte do rival Jorge Rafaat, em junho desde ano, durante uma emboscada em Pedro Juan Caballero (PY).

Segundo informações do jornal, ele alega que a pedido do governo e também de Rafaat negociou e pagou quase todo o resgate do brasileiro de 16 anos, na época o pedido foi de U$ 500 mil do jovem. E ainda a retirada de dinheiro para a compra de equipamentos de inteligência que foram usados pela Força Tarefa Conjunta (FTC).

Ao jornal, Pavão confirmou que ele mesmo negociou da prisão com um membro da EPP sobre o pagamento do resgate do brasileiro, que foi capturado no dia 2 de abril, na propriedade rural de sua família, de nacionalidade brasileira, na cidade de Paso Tuyá, no departamento de Concepción.

O pedido foi feito pelo próprio presidente paraguaio, Horácio Cartes, que na época solicitou a ajuda da Câmara de Comércio de Pedro Juan Caballero, presidida por Jorge Rafaat Toumani.

Questionado sobre quem teria negociado a liberação, a advogada do preso, Laura Casuso preferiu não dar nomes disse apenas que na época, o jovem frequentava igrejas da região de Pavão, local quem a mãe dele tem propriedades e familiares do jovem pediu ajuda a todos.

Javis disse que se colocou no lugar dos pais sobre o sequestro e com isso a pedido das pessoas que o procuraram se esforçou em ajudar.

A advogada disse ainda que foi feito o que era preciso, já que o objetivo era a liberdade de Arlan. Para a liberação outra série de exigências foram cumpridas, entre elas, para que o compromisso fosse firmado, a EPP teria que dar uma prova que o jovem ainda estava vivo, e eles cumpriram.

Sobre a prova, os advogados disseram que foi entregue um DVD em que nas imagens apareciam Arlan e Edelio (policial também sequestrado em julho do mesmo ano) conversando. Com isso Pavão trabalhou para que o jovem fosse liberto ainda no Natal para passar com a família, e foi cumprido. Já Edelio não foi possível, pois a exigência na época era a troca de um policial por outro, o que não poderia ser feito.

A defensora disse que a negociação na época não foi somente feita por Pavão, mas com ajuda de outras pessoas, entre elas Rafaat. Questionada se foi o pedido foi feito diretamente a Pavão e Rafaat, ela disse não saber se foi diretamente, contou apenas que teve o pedido do governo a Câmara de Comércio.

“Eu não sei se o governo diretamente. Sei que o governo fez uma conferência e pediu ajuda para a Câmara de Comércio e Jorge Rafaat foi presidente da Câmara de Comércio”, contou Laura.

Durante a entrevista, Pavão pediu desculpa ao povo paraguaio e ainda disse que parou de cometer erros que os atribuiu a ‘ilícitos’ em 1999. Ao ser questionado sobre o tráfico, ele preferiu não relembrar o que fez de errado, pois já foi condenado sobre isso no Brasil.

“Ilícito. Eu não posso dizer o que eu fiz ou não, ilegal. Não é não incentivar-me a dizer, não é necessário. Eu foi condenado por tráfico (de drogas no Brasil)”, contou.

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