‘Patón’ Bauza chega ao São Paulo, adota cautela por reforços e pede conversa com Lugano

O São Paulo apresentou nesta quarta-feira o técnico Edgardo Bauza, de 57 anos. Bauza, mas pode chamar de “Patón”, como o argentino prefere ser chamado. É seu apelido de infância e já pegou entre os profissionais e dirigentes do clube. O comandante falou com os jornalistas pouco depois de conhecer o CT da Barra Funda e assinar contrato de um ano.

Foto Lancepress!
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Apesar de ter comentado sobre nomes de possíveis reforços à imprensa argentina, o técnico adotou discurso bem mais cauteloso quando perguntado de contratações. Disse estar ciente de que haverá pouco recursos para investir em jogadores, R$ 11,5 milhões, como mostrou o LANCE! nesta quarta, e que quer falar com Lugano “cara a cara” para saber das intenções do uruguaio. A diretoria já disse que procurará o zagueiro se o técnico autorizar.

– Diego está jogando em outra equipe. Quero falar com todos, sei o que ele representa para o São Paulo e o importante que pode ser. Eu necessito falar cara a cara com o jogador, para me dizer que se tem gana de voltar ao São Paulo, seguir jogando. Sei tudo que representa, como jogador não tenho nada para falar, vamos falar com ele para depois tomar uma decisão – afirmou o treinador.

Patón tentou afastar a ideia de que iria indicar vários jogadores argentinos. Isso porque, em entrevistas a profissionais de seu país, o hermano comentou sobre alguns nomes que já trabalharam com ele, como o lateral-direito Buffarini, o zagueiro Caruzzo e o volante Ortigoza, todos do San Lorenzo (ARG), seu ex-clube. E reforçou que o clube não poderá trazer muitos jogadores.
– Na Argentina saiu nomes mais por jornalistas que queriam falar de um nome do que qualquer outra coisa. Estamos analisando, não vamos nos equivocar, porque não poderemos incorporar muitos jogadores, uns dois três, tem de ser para somar bastante – afirmou.

– São bons jogadores, porém não creio que o San Lorenzo solte nenhum desses três. Obviamente que são jogadores que dirigi, e disse a mesmo para vocês, de tentar reforçar todos os setores e aí colocaram esses nomes. Nunca partiu de mim que queria esses jogadores – explicou Bauza.

O técnico ainda falou sobre sua forma de jogar e explicou que gosta de times equilibrados, com defesa forte. Frisou que o importante é defender com 11 e atacar com dez. E que, se isso for ser chamado de retranquiro, aceita o rótulo numa boa.

– Eu sou partidário do equilíbrio e para ter equilíbrio tem de ter uma equipe com obrigações. E obviamente que o São Paulo, por sua história, tem de tentar ganhar todas as partidas e não pode ser diferente. Vamos tentar, mas isso não quer dizer que vamos jogar todos na frente ou todos atrás. No futebol de hoje, tem de defender e atacar com os 11. Vamos tentar impor isso, tem jogadores de grande técnica – afirmou o argentino.

O técnico foi apresentado pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva e o diretor-executivo Gustavo Vieira de Oliveira. O vice de futebol Ataíde Gil Guerreiro não participou por ter um compromisso familiar. Os dirigentes presentes se disseram muito felizes com a escolha e desejaram sorte ao comandante.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA DE APRESENTAÇÃO DE BAUZA

Jogador técnico ou lutador neste momento?
“Falava com Gustavo e estou vendo a equipe e tenho um diagnóstico primário do que foi no último campeonato. Sigo vendo vídeos, tentando dialogar com distintas áreas do clube, que têm muito mais conhecimento. Falar com Osorio, para entender sua opinião a respeito. O que estamos falando com os diretores é das possibilidades para contratar. Não temos falado em nomes, todavia, por aí apareceu alguns nomes, mas estamos vendo as áreas que as equipes precisa fortalecer.”

Tempo de preparação
“É muito pouco, o que estamos pensando é uma pré-temporada muito específica para a equipe chegar na primeira partida do Paulista e da Libertadores na melhor forma. Temos 25 dias. trataremos de tentar chegar da melhor forma. Sabemos da importância dos dois. Primeiro objetivo grande que temos é essa partida no Peru, e nos dá a possibilidade da fase de grupo da Libertadores.”

Maior clube da carreira?
“Todos os desafios da vida são grandes. É o maior desafio da minha carreira, e é muito lindo, trabalhar com tanta responsabilidade como o São Paulo. Assumo com a mesma responsabilidade, como em outros lugares. Estou convencido de que será muito bom.”

Boa fase técnicos argentinos
“Não creio que seja o momento de técnicos argentinos, brasileiros. Acho que há técnicos muito capazes, argentinos e brasileiros. Tem que ver com a particularidade de cada futebol. Quanto a organização, a demanda. O problema maior que temos é começar o que vamos fazer. Eu me sinto capacitado e vou lutar para convencer os jogadores de que vamos trabalhar o melhor. Essa é a ideia e o princípio que temos para levar adiante.”

Apelido Patón
​”Vem da infância. Meu irmão era o Patón grande e eu o Patón pequeno. E no futebol isso virou meu nome, ficou Patón. Se me chamam de Edgardo na rua eu nem percebo.”

Eliminação na Libertadores pode atrapalhar?
“A Copa é uma obsessão para todas as equipes, muito mais para equipes importantes como o São Paulo. E vamos dar essa importância. E igualmente temos outros campeonatos. São Paulo tem obrigação de tentar ganhar cada campeonato que jogue. E vamos trabalhar mirando isso. A história do clube nos obriga a isso.”

Diferenças para Osorio
“A metodologia de trabalho é diferente, porque equipes de Osorio são mais verticais, a mim gosto mais de trabalhar as jogadas. Mas a metodologia de trabalhom no geral, é muito parecida. Porque falamos muito, sentamos para tomar café e falamos muito de futebol. Ele tem a verticalidade grande, mas o bom desse esporte é que ninguém tem a verdade. Vamos tentar que os jogadores estejam rápidos, bem, fisicamente bem, e depois do tático, de passar minha ideia, e as possibilidades de encontrar o melhor. Não sou um técnico esquematizado.”

Rogério Ceni
“É um ídolo, intocável. E seguramente vou encontrar com ele, será de muita importância, para me contar o que foi a impressão dele para esse ano, me vai servir muito.”

Impressões sobre o São Paulo
“Eu vi sete partidas, do que vi, algumas partidas, um desequilíbrio que fez equipe perder partidas com resultados que não são habituais, no futebol profissional de hoje, com equipes que não têm tanta diferença. O futebol, para mim, como em todos os esportes, pode acontecer essas coisas quando há desequilíbrio. Vamos lutar para que a equipe encontre uma organização para tentar sair campeão.”

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