ONU teme cólera no Haiti e diz que protestos atrasam ajuda e socorro

A escala do surto de cólera desencadeado no Haiti após a passagem do furacão Matthew pode estar mal avaliada porque áreas remotas estão isoladas, disse na terça-feira (18) um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) a cargo do controle da doença. Ele disse ainda temer que os doentes não estejam sendo tratados.

Soldados haitianos tentam controlar multidão que aguarda distribuição de comida, na terça-feira (18) (Foto: Carlos Garcia Rawlins / Reuters)
Soldados haitianos tentam controlar multidão que aguarda distribuição de comida, na terça-feira (18) (Foto: Carlos Garcia Rawlins / Reuters)

David Nabarro, conselheiro especial do secretário-geral da ONU que anteriormente estava encarregado da reação global da entidade contra o cólera, afirmou que os protestos contra a demora na chegada de ajuda estão agravando o problema.

Algumas estradas no sudoeste haitiano continuam intransitáveis desde a tempestade deste mês. Revoltados com  o ritmo lento e a distribuição irregular de ajuda humanitária, algumas pessoas desesperadas erguem barreiras em estradas e, em alguns casos, saquear comboios de ajuda.

“Não sabemos se há muitas pessoas com o problema do cólera nas áreas que não conseguimos acessar, e é por isso que peço às pessoas que nos deem acesso a todos os locais. Tememos haver pessoas em cavernas, em outros lugares, sem ajuda, e que talvez estejam doentes”, disse Nabarro aos jornalistas.

Ele pediu que nações doadoras financiem a reação da ONU à epidemia, um tópico delicado no Haiti porque a doença foi introduzida acidentalmente no país caribenho por soldados pacificadores da ONU e, desde então, matou mais de 9 mil pessoas.

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