Ociosidade na indústria é recorde em dezembro, informa CNI

fiemsCom ociosidade recorde, a indústria começa o ano com pouca disposição para investir. A utilização da capacidade instalada (UCI) atingiu 62% em dezembro e é a menor da série histórica mensal, iniciada em janeiro de 2011. Já a intenção de investimento teve queda de 0,8% em janeiro ante dezembro e atingiu 41,6 pontos. As informações são da Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na manhã de ontem (22).

A produção também teve forte queda em dezembro, cujo indicador registrou 35,5 pontos e está 14,5 pontos abaixo da linha dos 50 pontos. Essa contração na atividade industrial fez com que os estoques fossem ajustados. O índice de evolução dos estoque teve recuo intenso em dezembro e assinalou 46,6 pontos. Esse também foi o menor indicador desde o início da série, iniciada em janeiro de 2011. Isso contribuiu para que os estoques se mantivessem no nível planejado pelas empresas. O índice de estoques efetivo-planejado recuou de 51,4 pontos, em novembro, para 49,8 pontos, em dezembro, ficando praticamente na linha dos 50 pontos.

O índice de evolução do número de empregados também ficou abaixo dos 50 pontos e registrou 41,5 pontos em dezembro, o que sinaliza queda no emprego da indústria. A fraca atividade do setor mantém os empresários pessimistas em relação à demanda, ao número de empregados e a compras de matérias-primas para os próximos seis meses. Embora em janeiro esses índices tenham crescido na comparação com dezembro, eles se mantém abaixo da linha dos 50 pontos, o que sinaliza perspectivas negativas. O indicador de demanda assinalou 44,8 pontos, o de compras de matérias-primas registrou 43,6 pontos e o de número de empregados foi de 42,3 pontos.

Somente as expectativas para exportações são de crescimento para os próximos meses, já que o indicador ficou acima dos 50 pontos. O índice de quantidade exportada cresceu de 50,1 pontos, em dezembro, para 52,4 pontos, em janeiro.

PRINCIPAIS PROBLEMAS – A elevada carga tributária, a baixa demanda e o alto custo da energia são os principais problemas enfrentados pela indústria no último trimestre de 2015, segundo a Sondagem Industrial. Enquanto a carga tributária foi apontada por 49,3% dos empresários, a baixa demanda teve 43,9% das indicações e o alto custo de energia representou 28,9% das respostas.

Os principais problemas são os mesmos apontados pelos empresários no terceiro trimestre. No entanto, com exceção do custo de energia, houve crescimento da preocupação em relação à carga tributária e à demanda interna no quarto trimestre em relação ao trimestre anterior.

INSATISFAÇÃO – Os empresários também estão insatisfeitos com o lucro operacional e a situação financeira no quarto trimestre de 2015. O índice de satisfação com a margem de lucro foi de 33,2 pontos e, com a situação financeira, 38,8 pontos. Além disso, há dificuldade de acesso ao crédito, cujo índice registrou 30,5 pontos no quarto trimestre. Valores abaixo de 50 pontos indicam insatisfação e dificuldade de acesso ao crédito.

Esta edição da Sondagem Industrial foi feita entre 4 e 13 de janeiro com 2.225 empresas, das quais 910 são pequenas, 815 são médias e 500 de grande porte.

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