Número de devedores sobe 4,6% e comércio tem pior retração desde 2003

Um balanço semestral divulgado hoje (14) pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 56,5 milhões de consumidores em junho deste ano tem contas atrasadas, um total de dois milhões de novos inadimplentes em relação ao mesmo período no ano passado.

De acordo com o documento este é “o pior resultado semestral dos últimos três anos e reflete a forte deterioração da economia”. A maior parte das dívidas em atraso está concentrada nos setores de água e energia seguidos pelos bancos.

O presidente da CNDL, Honório Pinheiro, avalia que o aumento nas contas de água e luz, a aceleração da inflação e do desemprego são os motivos que levaram a desorganização de orçamento das famílias no país e consequente endividamento.

Os números são preocupantes na opinião da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, uma vez que a desaceleração entre um mês e outro não são significativas.

Uma tendência que chama a atenção da economista é o crescimento acima da média de consumidores em idade avançada – 85 a 94 anos – e a queda do número de devedores jovens (18 a 24 anos).

Kawauti salienta, no entanto, que a maior parte das dívidas está com as pessoas de 30 a 39 anos, representando 29,13% do total. “Uma das razões para essa grande participação é que nesta fase da vida os gastos como a compra de imóveis, carros e despesas com os filhos são bastante consideráveis”, justifica.

Os números acabaram refletidos na redução das vendas no varejo, uma vez que o crédito foi restrito. O IBGE aponta que o volume de vendas caiu 4,5% em maio em relação ao mesmo mês em 2014, o pior índice desde 2003.

Luana Campos

 

Comentários

comentários