Novo presidente argentino pode melhorar relação com Brasil e Mercosul

A chegada de Mauricio Macri à presidência da Argentina deve reconstruir as relações políticas e econômicas com o Brasil, além de oxigenar um Mercosul estagnado, em boa parte pelas barreiras comerciais criadas pelos Kirchner nos últimos anos. Eleito neste domingo, ele chegou a afirmar, há duas semanas, que caso ganhasse a disputa, sua primeira viagem ao exterior seria ao Brasil. A posse de Madri está marcada para 10 de dezembro.

O candidato opositor à Presidência argentina Maurício Macri(Agustin Marcarian/VEJA)
O candidato opositor à Presidência argentina Maurício Macri(Agustin Marcarian/VEJA)

Apesar da distância ideológica que o separa do Partido dos Trabalhadores (PT), Macri aposta em uma parceria mais sólida com o Brasil. “Estamos abertos para trabalhar pela aproximação dos dois países, e acreditamos que a Argentina terá vocação de diálogo e buscará soluções com o Brasil”, afirmou Fulvio Pompeo, assessor para relações externas de Marci, durante um almoço oferecido pelo Palácio do Planalto aos principais integrantes da equipe internacional do candidato argentino na embaixada brasileira no início do mês.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, Rodrigo Stumpf González, é otimista em relação à abertura na economia argentina e mudança na relação com o Mercosul. “Um governo argentino com uma perspectiva de economia mais aberta ao mercado internacional pode ser benéfico para as empresas brasileiras”.

A estagnação econômica, o desemprego e a necessidade de sustentação política do governo brasileiro e a exigência argentina de mostrar resultados econômicos positivos, controlar a inflação e deixar o câmbio subir, deve aproximar mais as duas nações. “Embora os governos brasileiro e argentino possam ficar ideologicamente em lados opostos após a eleição de Macri, ambos possuem necessidades maiores que os levariam a se associar”, explica o professor Marcus Vinicius de Freitas.

A relação bilateral entre Argentina e Brasil arrefeceu durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, que começou um ano antes do segundo mandato de Cristina Kirchner. “A Argentina optou por buscar uma aliança estratégica com China e Rússia no segundo mandato de Cristina, avançando em acordos envolvendo satélites e energia nuclear e dando abertura para investimentos chineses – benefícios que nunca ofereceu para o Brasil”, afirma o analista político argentino Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Unión para la Nueva Mayoría. O governo argentino também tem se aproximado da Venezuela. Na última Assembleia Geral da ONU, Cristina se encontrou com somente dois líderes mundiais: o presidente chinês Xi Jinping e Nicolás Maduro.

Macri deve trilhar um caminho diferente. Há pouco mais de uma semana, o novo presidente afirmou que se opõe a políticos que buscam seguidas reeleições, uma crítica velada ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que tenta prolongar os limites do seu mandato. Também criticou a prisão do líder de oposição venezuelano Leopoldo López pelo governo de Maduro. “Isso não é o que faz um governo democrático”, afirmou Macri, indicando que poderia se distanciar de líderes esquerdistas sul-americanos.

“A aliança com a China e a Rússia pode ser abandonada como eixo da política externa argentina, dando lugar a EUA, UE e o Brasil”, diz Rosendo Fraga.

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