Nelsinho Trad, Amorim e mais 10 são indiciados por desviar dinheiro

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(Foto: Correio do Estado/arquivo 2013)

A PF-MS (Polícia Federal em Mato Grosso do Sul) encerrou antigo inquérito sobre superfaturamento de obras do aterro sanitário de Campo Grande, na então gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho (hoje PTB), acusando e indiciando 12 pessoas por desviar dinheiro da obra. Entre os que responderam processo judicial está o ex-prefeito, servidores e diversos membros da família do empresário/empreiteiro João Amorim. O empresário já é réu em investigações da Operação Lama Asfáltica, por corrupção com recursos do governo do Estado. Neste caso, que tinha investigação em curso há mais de quatro anos, a PF encerrou inquérito na última sexta-feira (21), mas somente divulgou ou confirmou nesta quarta-feira (25) que encaminhou o resultado da investigação para que a Procuradoria Regional da República, para que tome os envolvidos réus e sejam julgados por quatro crimes.

O ex-prefeito Nelsinho Trad, apontou que “Eu já fui inocentado”. Mas, ele, João Amorim, sócio proprietário da CG Solurb, a mulher e as filhas dele, e ainda, o dono da Anfer Construções e Comércio Ltda, Antonio Fernando de Araújo Garcia, além de servidores da Prefeitura de Campo Grande, são os principais acusados pela PF de desviar dinheiro da obra do aterro, acompanhado de considerada ilegal contratação do consórcio CG Solurb, para realizar o serviço.

O indiciamento a partir desta semana, vem após quatro anos do início da operação do aterro sanitário, com a Polícia Federal concluindo pelo inquérito que investigava irregularidades na obra, que os 12 indiciados praticaram crimes de corrupção, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além deste processo investigatório antigo, mais recentemente em 2015/2016, Nelsinho, a família Amorim, e dois dos servidores municipais que estariam envolvidos no esquema ilegal para lucrar com a obra do aterro também são alvos da Operação Lama Asfáltica.

O ex-prefeito, o ex-secretário de Obras na gestão de Trad, João Antônio De Marco, e o ex-diretor da Central de Compras e Licitações, Bertholdo Figueiró Filho, já tiveram os bens bloqueados pela Justiça para garantir o ressarcimento dos cofres públicos. A medida foi uma das consequências da força-tarefa. Além de De Marco e Figueiró, o engenheiro da prefeitura, Taner Logo Casal Batista também foi indiciado.

‘Clã Amorim’

João Alberto Krampe Amorim dos Santos é o dono da Proteco Construções, empresa que, segundo apurou a equipe da Lama Asfáltica, superfaturava obras para desviar recursos. Além dele, a mulher, Tereza Cristina Pedrossian Cortada Amorim, o genro Luciano Portrich Dolzan, e as três filhas – Ana Paula, Ana Lucia e Renata – estão na lista da PF encaminhada ao MPF (Ministério Público Federal). Elza Cristina Araújo dos Santos, braço direito do empreiteiro, também foi indiciada.

Em maio deste ano, na segunda fase da operação, batizada de Fazendas da Lama, a PF levou para a prisão Amorim, a sócia e as filhas. A força-tarefa apontou que parte do dinheiro desviado de obras executadas pela empreiteira de Amorim em Mato Grosso do Sul foi “lavado” na compra de 26 fazendas no Estado, daí o nome dado a esta etapa da operação.

TRAD: “Eu já fui inocentado”

 

Com a frase “Eu já fui inocentado”, Nelsinho Trad disse que não se preocupada com o indiciamento, apesar de ainda não ter tomado conhecimento sobre as acusações feitas pela PF.  “Sem preocupação, pois tenho a convicção que o juiz não vai receber denúncia nenhuma e quem julga não é a PF, já passou uma vez este tipo de ação, que a Justiça Federal não considerou e finalizou. E ao que parece é a mesma ação em volga ou em volta”, avaliou.

A afirmação de Nelsinho vem ante as supostas irregularidades na construção do depósito de lixo que já motivaram ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal) contra o ex-prefeito, a Anfer, empresários e secretários por improbidade administrativa. A então ação apontava direcionamento e fraude em licitação, superfaturamento e autorização ilegal de uso do aterro sanitário.

O então processo enviado pelo MPF foi arquivado, a pouco tempo, no último dia 2 de junho, pela a Terceira Turma do TRF-3 (Tribunal Regional Federal). O então julgamento do relator do processo, o desembargador federal Nery Júnior, e demais membros, por unanimidade, consideraram procedente um agravo de instrumento contra a decisão que recebeu a ação inicial.

Com isso, a Justiça decidiu pela extinção da denúncia. “Além de ausente qualquer indício de dolo [intenção de praticar improbidade administrativa], não há indício de prejuízo ao erário”, destacou na época o relator.

 

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