MPE aceita denúncia e acrescenta crimes contra acusado de matar Kauan

Lúcio Borges

Caso do menino Kauan, de 9 anos, é um dos mais recentes crimes de pedofilia investigados pela polícia em MS

O MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), por meio do Promotor Henrique Franco Cândia, aceitou a denúncia à Justiça contra o ‘professor’ Deivid Almeida Lopes, 38 anos, que é acusado de matar e esquartejar Kauan Andrade, 9 anos, no último dia 25 de junho. Ele foi denunciado pelo MPE-MS, que totalizou oito crimes sexuais contra 12 crianças e adolescentes. O promotor aceitou a denúncia da Polícia Civil, que havia pontuado cinco crimes e incluiu na última sexta-feira (22) os crimes de ocultação de cadáver, vilipêncio de cadáver e pornografia infantil. No último dia 15 de setembro, a PC finalizou as investigações e enviou o inquérito ao MPE, mas sem os resultados de exames de DNA, que devem ser enviados posteriormente sem prejuízo ao andamento do processo.

Além das sete vítimas indicadas pela Polícia Civil, que são o Kauan, dois meninos de 10 e 13 anos, e quatro adolescentes de 14 anos, o MP incluiu na denúncia, três adolescentes de 15, 11, 13 e uma menina de 16 anos, que foi identificada por meio das gravações pornográficas. Foi o Ministério Público, que incluiu também os artigos 211 (ocultação de destruição de cadáver), além do artigo 212 do código penal, que se trata de vilipêndio de cadáver, em relação ao menino Kauan.

Assim, o promotor aceitou o inquérito policial enviado ao MP que indiciava o suspeito pelos crimes de conjunção carnal com menor de 14 anos (Art. 217) contra três vítimas, constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal (Art 213), contra quatro vítimas, submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos, (218 b) contra quatro vítimas, e, pelos crimes indicados nos Artigos 69 e 71 do código penal, que se trata do cometimento de um mesmo crime diversas vezes.

Antes de finalizar, o MP pontuou no documento que o acusado praticou os crimes do Art. 241 “b” (armazenar vídeos ou fotografias pornográficas envolvendo crianças), Art 65 da lei de contraversão penal (molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por motivo reprovavel) e art. 218 “b” (submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos) – duplamente -, tendo em vista, que pagava de R$ 5 a R$ 15 para explorar as vítimas.

Tempo de acusação e Caso Kauan

De acordo com as investigações e pela denuncia, os crimes foram praticados pelo menos, de dezembro de 2016 a junho de 2017. Agora a denúncia será analisa pela 7ª Vara Criminal de Competência Especial – Campo Grande.

Kauan desapareceu da casa da família, no Aero Rancho, no dia 25 de junho. O menino cuidava carros na região quando foi visto pela última vez. A família registrou boletim de ocorrência e as investigações foram realizadas pela Depca. Foram mais de 20 dias sem notícias até praticamente após um mês, em um sábado, 22 de julho, quando o caso foi esclarecido. O Deivid Almeida Lopes, suspeito de ser pedófilo foi preso na sexta-feira (21), no começo da tarde, pouco antes do início das buscas pelo corpo do menino.

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa. A criança teria falecido enquanto era violentada, pois estaria inconsciente. Mas, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

Inquérito de um ‘psicopata’

De acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, o suspeito nega as acusações, mas com o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, não há dúvidas de que a vítima era Kauan. Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do suspeito, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o menino.

No último dia 15 de setembro, a Polícia Civil finalizou as investigações e enviou o inquérito ao MPE-MS sem os resultados de exames de DNA, que devem ser enviados posteriormente sem prejuízo ao andamento do processo. Um pedido de exame de DNA para o pai de Kauan, que está preso em São Paulo, foi feito e a amostra foi enviada para a Capital onde ainda passa por análise. O professor foi indiciado no dia 14 de setembro por estupro de vulnerável seguido de morte.

O delegado Lauretto deve pedir a conversão da prisão para preventiva, lembrando que o “professor” é um tipo de psicopata. “Durante o depoimento de Deivid, ele foi calculista e frio sempre pensando em cada resposta que seria dada a polícia. Ele continua negando o crime. Ainda teria dito durante o depoimento que Kauan não frequentava sua residência, assim, como outras crianças e adolescentes, mesmo diante de depoimentos e provas colidas no local”, disse.

Kauan teria sido esquartejado, possivelmente com um facão, que foi encontrado na residência do professor, por duas vezes, sendo colocado no porta-malas do carro do autor e levado até o Córrego Anhaduí. Mesmo com as buscas por toda a extensão do córrego Kauan nunca foi encontrado e com as investigações acredita-se que o professor voltou ao local, que estava marcado com uma pedra, esquartejou novamente o corpo do menino e o enterrou em outro local.

Novos casos

Para a polícia, o adolescente de 14 anos, que teria levado Kauan a caso do professor, contou que era estuprado desde os 10 anos. Com uma nova vítima, a polícia já investiga 10 casos de estupro de vulnerável contra o professor, todas vítimas vindas de famílias pobres.

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