Morte de papiloscopista em Naviraí pode ter outra versão e precisa de apuração rigorosa, diz Sinpap

Lúcio Borges

Papiloscopista foi morto a tiros

A morte de Jhones Gegiori Borges, 38 anos, papiloscopista da PC (Polícia Civil de MS), ocorrida neste domingo (12), que a princípio foi dada como consequência de um ‘desacato comum’, com o então, não conhecido, cabo da Polícia Militar, Vagner Nunes Pereira, 30 anos, deverá ter outro contorno e necessita de investigação rigorosa e com punição, pois já circula versão de desentendimento e se não execução, um ato desproporcional do PM. O pedido ou linha a ser adotada será encaminhada pelo Sinpap (Sindicato dos Peritos Papiloscopistas de MS), segundo a presidente da entidade, Vandra Jacques, que falou a pouco com o Página Brazil. Ele avaliou o episódio com o colega que era lotado na delegacia de Naviraí e foi morto por um PM, da mesma cidade, na madrugada de ontem, dentro de um ônibus de viagem que ainda circulava naquele município.

A representante e conhecida do colega, aponta que o fato, no mínimo tem que ser investigado administrativamente, pelas duas instituições, dentro da conduta de um agente da Segurança Pública, que matou uma pessoa, em uma ação, que mesmo com bandidos, não deveria acontecer dentro de um local fechado e com mais pessoas, além de que ‘nada justifica a violência, como foi’. Ela aponta que o caso tem que ser apurado, porque só uma versão, a do PM, que ainda vai contra toda estória de vida da vítima ou as informações estão desencontradas. O PM Pereira teria dado voz de prisão ao papiloscopista, que teria feito menção de reagir, estando armado.

“Não tivemos acesso ainda a nenhum laudo, e não temos nem ainda as informações oficiais ao certo de como foi, mas ao que sabemos nada justifica esta ou qualquer violência. Não justifica a brutalidade, com três tiros até pela costa, mesmo que ainda se diz, que ambos não se conheciam e pode ter havido um desacato com Jhones embriagado como alegou o policial militar. Mas, as informações são desencontradas e mesmo que houvesse algo, o PM teria que ter agido dentro da ‘Lei’ e encaminhado o ônibus, o ainda vivo, para delegacia, até porque ainda estavam dentro do perímetro urbano. Se ele detectou algo errado, foi tentar fazer seu serviço, deveria ter agido por completo dentro das normas”, avaliou Vandra.

A presidente completa, falando do desencontro de informações e dados contra Jhones, que pode até ter ocorrido, mas que nunca houve relato contra ele, como o dito ocorrido. “Ao que se tem de informação de relatos do PM, não condiz com o que era a personalidade do rapaz. Jhones era família, com dois filhos, super tranquilo, conduta nunca teve uma fagulha que desabone, tanto quanto profissional, como pessoal, ao que se conhece. E ainda as pessoas que foram ouvidas, não disseram nada parecido, se havia algo tão errado, como relatado”, disse Vandra.

Sinpap quer respostas da PC e PM

Vandra como já apontou quer uma posição e investigação das duas policias do Estado, até para informar oficialmente o ocorrido com um cidadão e porque normas não foram seguidas. “Vamos procurar as instituições – PM e PC – para esclarecer os fatos, para darem os dados oficiais a sociedade e a família, que foi destruída com este, direta ou indiretamente, crime. Temos que ver e oficializar dados que como já dissemos estão sem nexo ou desencontrados, como porque não foram seguidas as normas da atuação, e por exemplo, do local que não foi preservado”, apontou a presidente.

O delegado Regional, Claudineis Galinari, falou na imprensa local que “ambos não se conheciam e o PM não sabia que o papiloscopista era policial civil e viu que estava armado e tentando sacar a arma, foi onde houve os três disparos a queima roupa”. O perito morreu na hora.

Testemunhas da morte do papiloscopista teriam dito à polícia que embora estivesse alterado e “dando trabalho”, o policial não oferecia risco aos passageiros do ônibus em que estava quando foi morto com três tiros, efetuados pelo cabo da PM em Naviraí, distante 366 quilômetros de Campo Grande.

“Disseram que ele estava embriagado, porém nenhuma disse que ele oferecia risco para alguém. Agora as investigações caminham para apurar se houve excesso por parte do PM e identificar se não é questionável a proporção da reação com três disparos”, explica o delegado Eduardo Lucena, responsável pelo Caso.

Sepultamento

O corpo de Jhones Gegiori Borges foi trazido para Campo Grande e velado no Cemitério Jardim das Paineiras, na Avenida Tamandaré. O sepultamento ocorrerá no local, logo mais, com horário previsto para as 16 horas.

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