Moro aceita presidente Michel Temer como testemunha de Cunha

O juiz federal Sérgio Moro aceitou a indicação do presidente Michel Temer como testemunha de defesa do ex-deputado Eduardo Cunha. O juiz determinou, nesta segunda-feira (07), que o presidente seja comunicado da convocação e pede que ele se manifeste se quer ser ouvido em audiência ou por escrito, como permite o Código de Processo Penal.

De acordo com despacho, Moro solicita que a resposta seja dada em um prazo de cinco dias, já que há acusado preso. No documento, o juiz ainda solicitou que a Justiça Federal de São Bernardo do Campo, em São Paulo, expeça uma carta precatória intimando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a depor por videoconferência. Lula também foi indicado como testemunha de defesa de Eduardo Cunha.

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Presidente deve depor no próximo dia 22 (Foto: PP)

A data da oitiva ainda não foi marcada. O prazo para a intimação é de trinta dias. No mesmo despacho, Moro marcou os primeiros depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa indicadas no processo. No dia 18 de novembro serão interrogados o delator da Lava Jato, Eduardo Costa Vaz Musa e o auditor da Petrobras, Rafael de Castro da Silva, que foram apontados como testemunhas do Ministério Público Federal.

Já no dia 22 começam a depor as testemunhas de defesa. Nesta data prestam depoimento quatro pessoas: o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o lobista Hamylton Pinheiro Padilha. Em defesa prévia, Cunha listou o nome de 22 pessoas para deporem em seu favor.

Além do presidente Michel Temer e do ex-presidente Lula, ainda aparecem na lista o ex-ministro do Turismo e de Governo Henrique Alves (PMDB-RN), e o ex-deputado João Paulo Cunha (PT).

Prisão

Cunha foi preso no último dia 19 (Foto: Divulgação)
Cunha sendo preso pela equipe da Polícia Federal (Foto: Divulgação)

O ex-presidente da Câmara foi preso no dia 19 de outubro, em Brasília, por determinação do juiz Sérgio Moro e desde então permanece detido na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Cassado no mês de setembro, ele responde a dois processos criminais na primeira instância. O político é acusado de receber propinas em contrato de exploração de Petróleo na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.

Os advogados do ex-parlamentar têm negado as acusações, tanto que pediram que a denúncia seja rejeitada. Eles criticam o Ministério Público Federal dizendo que os procuradores ainda não explicaram qual a participação de Eduardo Cunha no esquema descoberto na Petrobras. Segundo as investigações, Cunha teria recebido o equivalente a R$ 2,4 milhões por atuar na aquisição, pela estatal, de um campo de petróleo na República do Benin, em 2011. O ex-deputado também é acusado de receber pelo menos U$ 5 milhões por desvio de recursos em contratos da Petrobras na compra de navios-sonda.

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