Milho segunda safra promete produção elevada, mas previsão de geada preocupa produtores

O plantio do milho segunda safra – mais conhecido como milho safrinha- está na reta final no estado e também na região de Dourados. Para este ano a expectativa é que a produção seja elevada. No entanto, as mudanças climáticas causadas pela influência do fenômeno El Nino durante a safra verão e que trouxe prejuízos para o cultivo de soja, deixam os produtores apreensivos em relação ao cultivo do milho, segundo informações do pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste em Dourados, Rodrigo Arroyo Garcia.

Para este ano a expectativa dos produtores do grão é que seja elevada, mas produtores temem por geada-
Para este ano a expectativa dos produtores do grão é que seja elevada, mas produtores temem por geada-

De acordo com o pesquisador, o plantio está praticamente encerrado. Ele ressalta que em março, alguns produtores ainda realizaram o plantio e por conta disso existe chances de perdas, caso haja geadas.

“Foi realizada a semeadura de algumas áreas no mês de março, inclusive após o dia 10, que é a data limite e também período que se encerra o zoneamento agrícola. Após essa data, as chances de perdas na produtividade decorrentes ao clima, como geada, aumentam e as estimativas indicam que para cada dia de atraso, na data limite, o potencial produtivo do milho diminui aproximadamente três sacos por hectare”, explicou.

Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 1,8 milhões de hectares serão utilizados para plantação de milho, segundo Rodrigo.

Dourados conta com aproximadamente 135 mil hectares, e a expectativa é que neste ano a produção seja elevada, mas como toda a safra as condições climáticas sempre preocupam os produtores de grãos.

“Para as plantações realizadas em janeiro e princípio de fevereiro, a expectativa é de produtividades elevadas. As condições climáticas são a grande preocupação dos produtores. As áreas plantadas nos dois primeiros meses do ano, a planta está em fase avançada de desenvolvimento, com elevada oferta hídrica e não corre riscos de perdas, caso ocorram geadas. Já as mais tardias, no mês de março, a ocorrência de geadas em junho, por exemplo, pode ocasionar perdas consideráveis”, explicou.

Segundo o pesquisador, a safra verão foi influenciada pelo fenômeno El Nino, o fator trouxe na mudança climática um grande volume de água em algumas regiões do estado, sendo um ponto positivo para alguns e negativo para outros produtores de soja. Para a entressafra, ou seja, – milho segunda safra- está sob influência do La Nina e as adversidades climáticas podem ser mais contundentes.

“Nesse sentido, destaca-se a importância do produtor fazer o manejo recomendado, o que trará maior estabilidade mesmo nessas condições de adversidades climáticas. Podemos destacar as semeaduras em épocas mais favoráveis, manutenção de palha na superfície do solo durante todo o ano, rotação de culturas, manutenção de terraços e curvas de nível”, explicou Rodrigo.

Questionado se a chuva do dia 24 de março, onde se registrou 103 mm de acúmulo, trouxe alguma preocupação ou até mesmo prejuízo para os produtores, Garcia conta que para o milho que está em desenvolvimento, não resultará em problemas que possam ser levados em consideração.

“Para o milho que ainda não foi semeado, significa atraso na semeadura, pois o solo ficou com umidade acima de desejável para o trabalho das máquinas. Muitas vezes o impacto de grandes volumes de chuvas afeta negativamente a lavoura em longo prazo, ou mesmo de forma indireta. Nesses últimos meses foram observadas na região sul do estado diversas áreas com graves problemas de erosão, inclusive em solos mais argilosos.

Dólar aumenta o valor do milho

O último Informativo Casa Rural, elaborado pelo Departamento de Economia do Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária) de Mato Grosso do Sul, o preço da saca de milho no Estado, teve alta de 80% no decorrer de um ano. Segundo os dados divulgados o valor médio verificado no dia 23 de março atingiu R$ 40 a saca, contra R$ 21,08 verificado em 2015.

Entre os motivos, o analista econômico da instituição, Luiz Gama, explica que o primeiro fundamento é a alta do dólar que estimulou as exportações recordes. O segundo é a demanda aquecida internamente, principalmente pela indústria de proteína animal que inclusive já começa a importar o produto.

O atual valor do milho sul-mato-grossense supera em 12,28% o valor que era cotado no início do mês, de R$ 35,63 a saca. (Dourados News)

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