Mesmo com frio, veto a “Lei da Mordaça” leva manifestantes a dormir na porta da Câmara

Manifestantes que enviaram imagem via whatssap
Manifestantes que enviaram imagem via whatssap

O frio até mais forte na noite de ontem (8) não impediu a vontade de dezenas de cidadãos em ir dormir na ‘rua” para garantir lugar para pressionar e ratificar com os vereadores, o veto a “Lei da Mordaça”, que deve ser mantido ou derrubado na manhã desta quinta-feira (9). Os manifestantes contrários a Lei, em um grupo de pelo menos 15 pessoas, passou a noite e ‘dormiu’ na porta da Câmara, e centenas de outros amanheceram super cedo no local, antes das 6 horas, para poder entrar no prédio que terá restrição de acesso a todos, devido a capacidade e mesmo ou até principalmente  para controlar o protesto, que promete levar pelo menos 500 manifestantes a Casa de Lei.

Os manifestantes contra a “lei da mordaça”, projeto de lei aprovado na Câmara Municipal, mas vetado pelo prefeito Alcides Bernal, por pressão de entidades do setor da Educação e movimentos sociais, visa restringir a discussão de política, religião e gênero nas escolas. Por isso, os contrários e mesmos o público a favor vem a mais de dois meses se manifestando e pressionando o Legislativo para decidir sobre a questão. Assim, a maioria contra madrugou na casa de leis, nesta quinta-feira (9) para participar da votação do veto à proposta, que será analisado pelos vereadores da Capital. Se eles decidirem derrubar a proibição, o projeto se tornará lei, mas se a maioria votar pela manutenção do veto, a proposta será arquivada de vez.

As portas do Legislativo Municipal ainda estão fechadas e por lá há ao menos 200 pessoas que chegaram bem cedo para garantir um lugar dentro do plenário. Mesmo com o frio intenso na madrugada, as pessoas que montaram barraca em frente ao prédio, localizado na Avenida Ricardo Brandão, contaram com a ajuda de pessoas que não ficaram, mas levaram sopa, café, chã e pão.

Hoje, Diego Rodrigues, 29 anos, estudante e técnico da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), chegou por volta das 4h30 na Câmara. Ele defende a manutenção do veto para “garantir os direitos dos alunos e professores”. “O projeto priva o educador”, disse.

Exemplo para barrar em outros lugares

Campo Grande pode se tornar exemplo para barrar ou garantir que “ideia” pare de se expandir, pois o tipo ou o mesmo projeto está em tentativa de ser imposto em outras seis Capitais do país, 13 municípios e já entrou em pauta no Senado Federal para virar Lei Nacional.

Assim, embora a lei, se aplicada, terá vigor somente em Campo Grande, o farmacêutico Davi Master, 24 anos, é de Três Lagoas, mas resolveu apoiar o movimento – chegou às 5 horas no prédio. “O projeto é um cerceamento do professor e priva os alunos de obterem mais conhecimento, além de ferir a Democracia e a Constituição. Já passou em Alagoas e estão fazendo na surdina e muitas outras cidades, como fizeram em Campo Grande. Acompanhamos toda a luta aqui e voemos hoje para somar no ‘grito’ e consciencia dos vereadores da Capital”, apontou Davi.

A assistente social Ana Claudia Ladesma, 36 anos, faz parte do grupo que resolveu acampar por lá. Para ela, o veto deve ser mantido, pois, trata-se “de um retrocesso e é extremamente inconstitucional”.

A entrada dos manifestantes acontecerá por meio de distribuição de senhas. A expectativa é que protestantes a favor do projeto também acompanhem a votação, mas, até o momento, só o pessoal contrário à legislação aguarda a entrada.

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