Menina vítima de intolerância religiosa diz que não perdoa agressores

Kailane Campos, 11 anos, fez exame de corpo de delito no IML nesta quarta. Na saída, homem que se disse evangélico discutiu com avó da menina e criticou repercussão do caso

Rio – A jovem candomblecista Kailane Campos, de 11 anos, esteve na manhã desta quarta-feira no Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame de corpo de delito. A menina foi atingida por uma pedrada na cabeça no último domingo quando seguia para um centro espiritualista na Vila da Penha, na Zona Norte da cidade. Vestida com as roupas do candomblé, Kailane afirmou que não perdoa seus agressores que ainda não foram identificados.

Vó Kathi e Kailane foram ao IML vestidas com roupa da religião Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia
Vó Kathi e Kailane foram ao IML vestidas com roupa da religião
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia

“Eu não tenho medo de andar de branco nas ruas. E também não consigo perdoar os agressores pelo ocorrido”, disse Kailane, que chegou ao IML acompanhada da avó, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos.

Conhecida na religião como Vó Kathi, a responsável pela garota afirmou estar satisfeita com a repercussão do caso e confirmou o encontro que terá nesta quarta com o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

“Estamos felizes com a repercussão do caso. Hoje à tarde devo me reunir com o Marcelo Freixo na Alerj, mas antes levarei a Kailane na ONG Liberdade Religiosa, onde ela terá consulta com uma psicóloga. Fiquei também feliz porque o secretario de Segurança (José Mariano Beltrame) se manifestou sobre o caso”, disse.

A avó da menina afirmou que os agressores entraram num ônibus após tacarem a pedra, mas que os homens não foram identificados. “Eles embarcaram no ônibus e fugiram. A polícia foi na garagem da empresa e as imagens não foram localizadas. Mas sou capaz de ir até o fim para fazer com que essas pessoas paguem pelo crime”, garantiu.

Chegando ao IML, a menina e sua avó se depararam com uma pessoa que se disse evangélica deixando o local. Houve uma discussão entre a mãe de santo e o homem, que não se identificou e que criticou a repercussão do caso. “A repercussão é porque, além de ser uma intolerância religiosa, envolveu uma criança. Espero que a repercussão desse caso sirva como um alerta. porque Deus é Deus e fanatismo é fanatismo”, rebateu Vó Kathi aos insultos do homem.

O DIA

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