04-11 – ME ENCHI DE MIM: TOINDO

Pedro1Pedro Mattar

Depois de mais de quatro anos escrevendo neste espaço, toindo embora. Volto pra São Paulo, onde vivi boa parte da minha vida antes de Campo Grande. Foi um longo trecho.

Escrever é um exercício de articulação, serve de treino e liberta você de bobagens armazenadas, queira ou não. Escrever sempre foi a melhor forma de fazer piadas sobre coisas serias. Claro, sempre com a expectativa de ir ao encontro de pessoas identificadas com o meu entendimento de humor e ironia. Não consigo levar nada a serio, durante todo o tempo. Escondo em mim (ou não) um desavergonhado impulso de banalizar o que for, já por essa incapacidade de ficar indignado.

Se é preciso sintetizar, diria que me diverti escrevendo. Não me refiro a um parque de diversões e seus equipamentos alucinantes, mas no que diz respeito a um sorriso sustentável. Sempre me alimentei da ironia, foi o jeito de manter descompromisso com as dúvidas. Aliás, faço uso irresponsável do descompromisso, pra poder conviver com a falta de respostas.

Devo reconhecimento a você que teimou em ler minhas bobagens e até entendeu meus escrachos. Riu com eles. Devo reconhecimento aos que não concordaram comigo, e manifestaram seus pontos de vistas. O fato é que jamais tive razões ou certezas absolutas, mesmo que as tenha defendido. Pela simples lógica de que nada é definitivo. Isso não existe, me arrisco a crer.

Aos editores deste jornal e dos sites Top Vitrine e Página Brazil,vai aqui meu reconhecimento pela liberdade e até abuso mantidos nos textos dos meus artigos ou crônicas – sei lá a diferença. Jamais mudaram uma letra ou palavra, respeitando minha livre forma de expressão. Exceção ao dia em que escrevi deus com minúscula e o revisor modificou para maiúscula. Falha de interpetação, não de censura ou intervenção.

Aos que me mandaram mensagens de apoio ou crítica, estejam certos de que me prestaram um grande favor. Para quem escreve, nada melhor que a referência de quem lê. De um lado, me servi dos parâmetros que delimitam minhas bobagens. De outro, a medida dos limites que me permitem viajar na maionese.

É claro que continuarei a escrever, mais adiante, quando passar essa onda de saco cheio de mim mesmo. Cheguei naquele ponto em que rompi relações comigo. Sabe quando você enjoa de uma pessoa, mesmo sabendo que você e ela são inseparáveis. Pois é, esse é o estágio. Logo passa.

Escrever faz parte de mim, tenho necessidade esvaziar a cabeça das porcarias que se acumulam. É possível que mesmo à distância, eu mande contribuição, desde continuem a ser aceitas. Imagino que estou dando férias pra minha cabeça, mesmo que não mereça. Sob meu ângulo de entendimento, acho que estou dando férias pra você. Depois agnte conversa.

Aceite minha gratidão pela leitura e até um dia qualquer. Forte abraço

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