Fazenda de Lamas: material apreendido revela “propriedades desconhecidas” com investigados

Centenas de documentos também foram apreendidos. (Foto: Divulgação PF)
Centenas de documentos também foram apreendidos. (Foto: Divulgação PF)

O material recolhido na Operação Fazenda de Lamas, na última terça-feira (10), já revela que entre os 24 investigados, que a ação alcança, há “propriedades desconhecidas”, não declaradas e que as apurações não haviam detectado. Documentos apreendidos mostram, além do que foi conhecido em investigações anteriores, e que servirá de provas, quanto a lavagem de dinheiro, que é o objetivo desta segunda fase das investigações do processo da ‘Lama Asfáltica’ em Mato Grosso do Sul. O processo, que se iniciou e segue apurando a ‘má utilização’ de recursos do governo federal, na administração do ex-governador Andre Puccinelli, via Secretaria de Obras, então comandada pelo ex-deputado federal Edson Giroto, ampliou as investigações para verificar o destino dos recursos, que tem acusação de terem sido desviados, e, encaminhados ou oficializados aos envolvidos, em lavagem de dinheiro e até fraudes ao sistema financeiro e da Receita Federal.

As acusações são feitas ao grupo de 24 pessoas, denominado de “organização criminosa”, pelos investigadores da Policia Federal, Receita Federal e CGU (Controladoria Geral da União), da força tarefa da “Fazendas de Lamas”. As investigações que tinham como objetivo verificar a lavagem de dinheiro, apontaram e preliminarmente aumentaram as suspeitas do ato do grupo. Assim, as investigações se ampliaram e culminou com a expedição dos mandados de busca e apreensão na casa de todos e levou 15 a prisão temporária, na última terça-feira, para apuração, ‘confronto’ dos fatos e busca de explicações dos acusados.

A gravidade dos fatos, levou oito do total detido, entre os principais acusados, a continuarem presos. Após todo o contexto e a analise da força tarefa, que descobriu novos elementos, como as “propriedades desconhecidas”, o ex-secretário Edson Giroto, sua mulher Rachel, e, o empresário João Amorim, dentre outros cinco, tiveram no sábado (14) decretada a prisão preventiva, que agora é no minimo de 30 dias, podendo ser ‘indeterminada’.

De acordo com PF, entre os materiais apreendidos durante a Operação Fazendas da Lama, foram encontrados documentos de propriedades que até então eram desconhecidos das entidades, que já haviam revelado uma grande quantia de fazendas fruto dos supostos desvios, que até por isso, deu o nome a Operação. Durante entrevista coletiva sobre ação na manhã de terça-feira (10), foi informado que foram identificados cerca de 67 mil hectares de fazendas compradas pelos investigados, supostamente com o dinheiro obtido com o desvio de recursos federais na execução de obras. “Esses registros de imóveis, outros documentos e dados obtidos robustecem as provas até então levantadas ao longo da investigação, do que nós havíamos coletado e descrevemos nos autos do processo. São coletas material que fazem parte do processo e podem se tornar prova. Neste caso, comprovam e apontam além do que já levantamos dentro das possibilidades investigatórias”, aponta a PF.

Analises

Os papéis e o material contido nos discos rígidos computadores serão analisados agora por peritos da PF, CGU e Receita Federal. No caso da controladoria, o trabalho está sendo feito por equipe que veio de Brasília.

Na Fazendas da Lama, que é a segunda fase da Operação Lama Asfáltica, realizada em 9 de julho do ano passado, a investigação está centrada na apuração da lavagem de dinheiro. A ação mobilizou 201 policiais federais, 28 servidores da CGU e 44 da Receita Federal, para o cumprimento de 15 mandados de prisão temporária, 28 mandados de busca e apreensão e 24 de sequestro de bens.

Nas duas fases da investigação foram apurados o desvio de R$ 44 milhões por meio de superfaturamento, fraudes em licitação e pagamento por serviço não executado ou feito com qualidade abaixo do contratado. Segundo os investigadores, o dinheiro era “lavado” principalmente em compra de imóveis, especialmente fazendas.

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