Marcelo Odebrecht pediu cargo a Palocci na gestão Dilma

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Uma troca de e-mails investigada pela força tarefa da Lava Jato mostra a intenção do ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, de influenciar na distribuição de cargos do governo Dilma Rousseff (PT), segundo o jornal O Estado de São Paulo. As mensagens interceptadas pelos investigadores mostram o herdeiro da construtora fazendo elogios ao então secretário da Controladoria-Geral da União (CGU) Luiz Navarro. Segundo o jornal, o empresário teria enviado a mensagem para o ex-ministro Antônio Palocci Filho – que ocupou cargos nos governos Lula e Dilma.

Marcelo Odebrecht termina a mensagem com o pedido para que Palocci avaliasse a possibilidade de abrir “espaços” para Navarro no governo. O e-mail foi enviado para outros executivos da Odebrecht duas semanas antes de Dilma assumir a presidência. O documento seria uma espécie de rascunho do que Marcelo Odebrecht tinha como intenção enviar a Palocci.

O ex-presidente da empreiteira chama o petista de “Chefe”. Na lista dos executivos da construtora que receberam essa mensagem está o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Ele está entre os mais de 70 empresários ligados a construtora que assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

Essa troca de e-mails foi um dos documentos usados pelos investigadores para justificar o pedido de prisão preventiva contra Antônio Palocci Filho. O petista é suspeito de ser um dos principais articuladores da relação entre a Odebrecht e o Governo Federal. Na Justiça Federal do Paraná o ex-ministro responde por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Apesar da movimentação que indica a intenção de promover Luiz Navarro em 2010, ele permaneceu até o ano passado no mesmo cargo que já ocupava na época. Apenas em 2016 ele foi promovido ao cargo de chefe da CGU. Também no ano passado ele foi nomeado conselheiro da Comissão de Ética da Presidência – um cargo não remunerado no qual ele deve permanecer até 2019.

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