Manifestantes ocupam as ruas de Campo Grande em manifestação contra a terceirização

O Ato Público, “Não ao PL 4330”, organizado pela Central Intersindical reuniu trabalhadores, estudantes, representantes de partidos políticos e entidades de classe, na esquina da Avenida Afonso Pena com Rua 14 de Julho na tarde desta quarta-feira (15), em protesto contra o Projeto de Lei número 4.330/2004, conhecido como Projeto de Terceirização.

O texto aprovado no último dia 8 pela Câmara dos Deputados trará inúmeros prejuízos aos trabalhadores brasileiros e as futuras gerações, segundo o professor e membro da Intersindical, Sidney Melo, “Isso abre espaço para a escravização da mão de obra do trabalhador e só ajuda o empresário mal intencionado”, afirma.

Dados alarmantes

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho 2013, no Brasil há 48,9 milhões de trabalhadores e trabalhadoras informais no país. Desse total, 12 milhões são terceirizados, o que corresponde a 25%. Eles convivem com menos benefícios, mais acidentes de trabalho e condições análogas á escravidão se comparado aos trabalhadores contratados diretos para cumprir a mesma função.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2010 os terceirizados e terceirizadas recebiam em 27% a menos do que os contratados diretos para exercer funções semelhantes e tinham uma jornada semanal 7% maior. O rodízio entre eles também é maior. Um trabalhador terceirizado permanece cerca de 2,6 anos no trabalho, já os não terceirizados, 5,8 anos.

Outro levantamento que comprova a precariedade que a terceirização traz para a classe trabalhadora é o estudo do cientista social Vitor Filgueiras, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele revela que dos 40 maiores resgates de trabalhadores e trabalhadoras em condições análogas à escravidão nos últimos quatro anos 36 envolviam empresas terceirizadas.

Luana Campos

 

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