Mandetta fica na mira de arma de fogo durante conflito indígena

O Deputado Federal Luiz Henrique Mandetta, esteve ontem (29) em Antônio João, e teve uma arma apontada na cabeça por indígenas. Ele usou o facebook na noite de sábado para relatar o ocorrido.

Segundo publicação do deputado, ele foi convidado pelo Senador Waldemir Moka e pela Deputada Federal Tereza Cristina, para participar de uma reunião no sindicato rural da cidade, onde seriam tratados assuntos relacionados as propriedades rurais que foram invadidas por indígenas na semana passada.

No local, haviam mais de 200 fazendeiros e, em determinado momento, foram chamados por um proprietária de fazenda para irem até propriedade rural para tirarem os indígenas das terras. Segundo a publicação, o Senador Waldemir Moka tentou evitar que o grupo fosse até o local, mas os fazendeiros não ouviram e saíram rumo à fazenda. Para tentar evitar um confronto, Mandetta, sem nenhuma escolta policial, acompanhou os produtores.

Deputado ficou na mira de arma durante diálogo com indígenas. Foto: Assessoria
Deputado ficou na mira de arma durante diálogo com indígenas. Foto: Assessoria

Ainda de acordo com a publicação do deputado, um grupo de índios colocou uma arma em sua cabeça enquanto dialogavam. Após o parlamentar ser solto, os fazendeiros entraram na propriedade e houve o conflito que resultou na morte no índio Semião Vilhalva.

Confira na íntegra a publicação do deputado no facebook:

“Meus caros , hoje o dia foi tenso por aqui. Fui chamado pelo Senador Moka e Deputada Tereza Cristina para uma reunião no sindicato rural de Antônio João em razão de propriedades invadidas por índios desde semana passada. Ao chegar, me deparei com uma reunião de duzentos produtores, a presidente do sindicato rural e proprietária de uma das fazendas pegou o microfone antes de qualquer pessoa, fez um desabafo sobre a situação de descrença nas autoridades e chamou a todos para irem a fazenda retomar a sede. Todos se levantaram e mais de cem veículos foram a fazenda. Moka e Tereza foram buscar as forças de segurança para intervir nos locais de conflito. Eu liguei ao Presidente Eduardo Cunha (que está em NY) e o informei que iria como parlamentar tentar mediar o conflito. Nenhuma força policial acompanhou. Chegando lá pedi calma e clamei por dialogo. Tive arma apontada na cabeça pelos índios até acalmá-los. Não tive sucesso por mais de uma hora. Os proprietários entraram no peito e os índios saíram após uma batalha campal. Consegui ligar para a casa civil e pedi a presença da segurança. Após duas horas chegou a força nacional. Só que o conflito migrou para outra sede e a troca de tiros rolou de ambos lados. Quando lá cheguei o clima era tenso mas controlado. Ouviu-se um tiro numa mata a 800 metros e dez minutos depois os índios trouxeram um corpo que diziam ter sido alvejado. Me coloquei como médico e fui até o local. O cadáver de um homem já em rigidez cadavérica foi jogado na estrada. Fiquei ilhado entre eles. Após negociação consegui que o comandante da força nacional estabelecesse um espaço entre eles e sai de lá por volta das cinco horas. Cheguei em casa agora. Gravei e narrei muitas cenas. O campo explodiu por aqui. Parece que a mensagem ficou clara: governo fraco, ONGs , CIMI ( igreja católica) , FUNAI, contra os proprietários, que estão em estado de resistência e vão se defender. Falta Ordem. Muito triste.”

 

Kerolyn Araújo

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