Maior defensor de Cunha, Marun se diz “triste” e “surpreso” com prisão de colega

Maior defensor de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) na Câmara dos Deputados, o deputado federal por Mato Grosso do Sul, Carlos Marun (PMDB), emitiu nota à imprensa na tarde desta quarta-feira (19) comentando sobre a prisão do ex-colega horas antes, em Brasília (DF).

Marun durante discurso próximo a Eduardo Cunha - Foto: Agência Câmara
Marun durante discurso próximo a Eduardo Cunha – Foto: Agência Câmara

Em seu comunicado, o sul-mato-grossense se diz surpreso e triste por conta do fato e alega também que não conversava pessoalmente com ele desde 13 de setembro, um dia após sua saída do cargo.

“Não nego que a mesma [prisão de Eduardo Cunha] me entristece e surpreende, até porque estava correndo o prazo concedido para apresentação da defesa. A última vez que falei pessoalmente com o ex-deputado foi no dia 13 de setembro de 2016, um dia após a sua cassação”, disse.

Marun também cita que não conversou com Cunha após a sua prisão e disse não ter plano de visita-lo nos próximos dias por conta de compromissos firmados em Mato Grosso do Sul, mas buscará contato com ele posteriormente, caso seja permitido.

O deputado também alega que o problema agora é jurídico que deverá sustentar as suas razões.

“Trata-se agora de uma questão exclusivamente jurídica a ser discutida no âmbito do processo, cabendo ao Ministério Público e ao Poder Judiciário sustentarem as razões de seus pleitos e decisões. E à defesa, esgrimir seus argumentos”.

Prisão

O ex-presidente da Casa se tornou réu da Operação Lava-Jato no dia 13 de outubro acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Bênin, na África, e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. Ele acabou detido próximo a sua residência, na Capital federal, após determinação do juiz Sérgio Moro sob alegação de não atrapalhar as investigações da operação.

O juiz também bloqueou mais de R$ 220 milhões em bens do ex-deputado, cassado no dia 12 de setembro por improbidade administrativa.

Nota na íntegra

Em relação à prisão preventiva do ex-deputado Eduardo Cunha, tenho a declarar o que se segue:

1. Não nego que a mesma me entristece e surpreende, até porque estava correndo o prazo concedido para apresentação da defesa;

2. A última vez que falei pessoalmente com o ex-deputado foi no dia 13 de setembro de 2016, um dia após a sua cassação;

3. Não estive nem falei com ele ao telefone nos últimos dias, não tendo, portanto, condições de me manifestar a respeito de seu estado de espírito e de suas intenções;

4. Não tenho plano de visitá-lo nos próximos dias, até porque tenho compromissos agendados em meu Estado, mas é provável que eu o faça em dias vindouros se isto for permitido;

5. Trata-se agora de uma questão exclusivamente jurídica a ser discutida no âmbito do processo, cabendo ao Ministério Público e ao Poder Judiciário sustentarem as razões de seus pleitos e decisões. E à defesa, esgrimir seus argumentos;

6. Confio que será respeitado o devido processo legal e que ao final a justiça será feita;

7. Espero que as consequências políticas deste fato não sejam superdimensionadas a fim de que não se obstrua a janela de esperança que abrimos para o Brasil ao depor constitucionalmente o Governo corrupto e incompetente que nos aprisionava.

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