Mãe diz que não se lembra de como matou e escondeu corpo de bebê

Mãe é suspeita de matar e esconder corpo da filha (Foto: Divulgação/TV Anhanguera)
Mãe é suspeita de matar e esconder corpo da filha (Foto: Divulgação/TV Anhanguera)

A professora Márcia Zaccarelli Bernaseti, de 37 anos, suspeita de matar a filha recém-nascida e esconder o corpo em um escaninho disse em audiência nesta segunda-feira (26) que não se lembra como cometeu o crime. O ex-marido da mulher também foi ouvido e negou que a filha fosse dele, disse que nunca desconfiou que Márcia estivesse grávida.

“O tamanho do desespero, eu não sei o que me deu, doutor. Eu não me recordo. Eu fiquei andando com ela assim, abraçada, apertada. Eu não sei se eu queria o carinho dela, eu não sei o que aconteceu comigo. Eu não sei”, disse Márcia.

Entretanto, em depoimento à Polícia Civil, a professora conta que asfixiou a filha apertando o nariz dela. Jesseir Coelho, juiz responsável pelo caso, disse que a mudança na versão não interfere no julgamento.

“A defesa é plena, então ela pode permanecer até em silêncio. O fato de ela talvez mudar a versão no aspecto processual pouco importa”, disse.

O ex-marido de Márcia, Glaudson de Souza Costa, nega que tenha mandado a mulher matar a criança. Ele disse não saber de traição nenhuma, tampouco da gravidez. Relatou ainda, não existir marcas que evidenciassem a gravidez da ex-mulher.

Costa reforçou que foram casados durante quase oito anos e ele jamais desconfiou do comportamento de sua mulher. “Tínhamos relações, tínhamos nossas brigas, às vezes nos afastávamos, mas nunca percebi nada de diferente nela, algo estranho”, disse.

Ele disse ainda que tem certeza de que o bebê encontrado morto no escaninho não é seu. “A filha não é minha. Quando eu casei com ela, eu já era vasectomisado, porque eu já tinha sido casado e tinha outros três filhos”, explicou.

A empregada doméstica que trabalhava no apartamento na época do crime também disse que não percebeu que Márcia estava grávida. “Eu sabia ela tinha esses casos fora do casamento, que ela tinha medo de engravidar, mas ela nunca me falou nada de gravidez. Não vi nem dificuldade para andar depois do parto, não desconfiei de nada”, disse durante o depoimento.

Márcia já foi denunciada por homicídio. A partir de agora, o Ministério Público vai analisar se o ex-marido dela também pode ser indiciado pelo crime. “O Ministério Público é o titular da ação penal, ele que vai decidir se ele [ex-marido] pode ou não ter participado ou ser até um executor. Então a Justiça aguarda a manifestação do MP”, explicou o juiz.

A defesa de Márcia e o Ministério Público têm cinco dias cada um para apresentar suas alegações finais. Depois desse período, o juiz vai decidir se a professora será encaminhada ou não a júri popular pelo crime.

Crime

A professora está presa desde o último dia 9 de agosto, quando o ex-marido de Márcia encontrou o corpo do bebê no escaninho do prédio em que a mulher morava, na capital. Após ser presa, a mulher confessou que matou e escondeu o cadáver no local.

Ela deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011. Segundo as investigações, ela ligou para um amigo que a levou para o hospital quando começou a sentir contrações. Esse amigo ainda deu R$ 3 mil para que a professora fizesse o parto cesárea.

A criança nasceu saudável e, um dia após o parto, realizado em uma maternidade particular da capital, a professora recebeu alta. Consta na denúncia de que a investigada “matou uma criança recém-nascida mediante asfixia, tampando o seu nariz. Em seguida, colocou o cadáver dentro de uma bolsa e o levou para o apartamento onde morava, onde o envolveu com pano e saco plástico, depois acondicionou em uma caixa de papelão e o escondeu no escaninho de seu apartamento”.

Fonte: G1 Goiás

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