Levy é cercado por manifestantes ao chegar ao Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi cercado por manifestantes ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar ao chegar ao prédio do ministério na manhã desta terça-feira (19).

Ele foi impedido por cerca de 20 minutos de entrar no ministério. Durante a confusão, mais um vidro do edifício foi quebrado – outros haviam sido estilhaçados mais cedo.

Agricultores familiares em protesto em frente ao Ministério da Fazenda Foto: Isabella Calzolari/G1
Agricultores familiares em protesto em frente ao Ministério da Fazenda Foto: Isabella Calzolari/G1

Os manifestantes reivindicam melhorias para o meio rural, como a implantação de programas de incentivo para mulheres e jovens do campo e garantia de água para consumo e produção de alimentos.

O grupo invadiu o prédio no início da manhã. Eles quebraram vidros do térreo, subiram a vários andares e colocaram faixas nas janelas.

O ministro passou a maior parte do tempo em silêncio, mas chegou a dizer a manifestantes que as reivindicações deveriam ser tratadas com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Levy afirmou que poderia conversar com o grupo, mas teria de ter uma orientação a respeito da Presidência da República.

Depois de entrar no prédio, ele se reuniu com funcionários do ministério e com um pequeno grupo de manifestantes. Segundo a Fazenda, a conversa foi rápida e para desocupar a sede da pasta. Levy não se pronunciou sobre a reunião.

O coordenador da federação, Marcos Rochinski, falou que apresentou as pautas centrais do grupo. “Temos muitas preocupações com o ajuste fiscal que está para ser anunciado em relação aos cortes que estão sendo anunciados na reforma agrária e agricultura familiar.”

“Queremos que não haja cortes nestes segmentos e exigimos do governo condições para continuar produzindo alimentos. Nós dialogamos com o ministro [Levy] e ele se mostrou sensível. Esperamos que, ao final da negociações, o governo cumpra com os seus orçamentos não cortando absolutamente nada da agricultura familiar e reforma agraria. Nós temos uma negociação em curso com o governo”, complementou.

Questionado sobre os vidros quebrados, ele afirmou que o movimento é “pacífico”. “Nós temos o princípio de sempre que há dificuldade de dialogo, nós fazemos negociações e assim vamos continuar com a nossa pauta. Temos certeza que sairemos daqui com grandes conquistas. Foram 1,5 mil agricultores presentes no Ministério da Fazenda. O prédio está totalmente desocupado.”

Os manifestantes começaram a deixar o local após representantes do grupo serem recebidos pelo ministro. Rochinski chegou a afirmar que o prédio só seria desocupado depois que houvesse alguma resposta ou negociação com o governo. Uma reunião foi marcada para as 11h30 no Ministério do Desenvolvimento Agrário, com o ministro da pasta, Patrus Ananias, e Levy.

Segundo a Fazenda, houve uma “pequena depredação” no interior do prédio, e os estragos ainda estão sendo avaliados.

Invasão

Os manifestantes já haviam impedido a entrada de funcionários do ministério no início da manhã. A entrada dos servidores foi impedida. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar acompanharam o protesto. A estimativa da corporação era de que houvesse 500 pessoas no local.

O coordenador de Juventude do movimento, Alri Junior, disse que o ato é uma forma de dar um recado para o governo federal. “Esse corte fiscal baixar pode atingir a agricultura familiar, que precisa permanecer no campo para produzir cada vez mais alimentos para esse país (sic)”, declarou.

Segundo ele, os trabalhadores que ocuparam o prédio não têm a intenção de depredar o patrimônio. “Não estamos aqui para depredar o patrimônio público. Queremos zelar pelos direitos dos trabalhadores”, afirmou.

Funcionário do ministério, o garçom Rafael Alves contou que chegou para trabalhar às 6h30 e se surpreendeu com a invasão. “Quando cheguei, o prédio estava invadido. Quebraram o vidro da entrada com uma marreta, uma zona.”

Ele afirmou que os funcionários não foram avisados da ocupação. “Chegamos aqui e fomos pegos de surpresa. Estamos aguardando [do lado de] fora para ver o que vai acontecer.”

Protesto anterior

A atividade integra a 11ª Jornada de Lutas, que termina na quarta. O grupo é o mesmo que bloqueou por quatro horas as BRs 020, 060 e 080 nesta segunda (18). Eles queimaram pneus para impedir a passagem de veículos e interditaram os dois sentidos das rodovias, que dão acesso a Brasília.

Na BR-020, na altura de Formosa (GO), o congestionamento chegou a cinco quilômetros nesta segunda (18). Havia cem pessoas no protesto, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. A corporação não tinha dados sobre a lentidão e a quantidade de participantes nos outros pontos de bloqueio.

G1

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