Lava Jato: anotação cita R$ 3,4 mi para ‘santo’ em obra do governo Alckmin

Sede da Odebrecht em São Paulo. Manuscrito mostra que a construtora teria recebido 19% do valor do contrato(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Sede da Odebrecht em São Paulo. Manuscrito mostra que a construtora teria recebido 19% do valor do contrato(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Uma anotação apreendida na 23ª fase da Operação Lava Jato cita um pagamento de 3,4 milhões de reais a alguém apelidado “santo” por executivos da empreiteira em obra realizada em São Paulo em 2002, durante o primeiro mandato do governador Geraldo Alckmin (PSDB). De acordo o jornal Folha de S.Paulo, o manuscrito foi encontrado no escritório de Benedicto Barbosa da Silva Jr., um executivo da Odebrecht, e cita “acomodações de mercado” e pagamento de 5% para o “santo”.

A página de anotações tem o título Mogi-Dutra, em referência à obra de duplicação da rodovia. Abaixo, é citado o valor da obra – 68,730,00 (95% do preço DER) – e o registro dos “custos com o santo”, que eram de 3,436,500 reais. No manuscrito, é possível perceber que a palavra “apóstolo” foi riscada e substituída por “santo”.

A anotação ainda registra “acomodação de mercado”, que, segundo o jornal, sugerem que empreiteiras formaram um cartel e dividiram os pagamentos. A Queiroz Galvão foi a construtora que venceu a licitação com o menor preço (68.678.651,60 reais), pouco menos do que o valor oferecido pelas concorrentes.

Segundo a Folha, a pequena variação entre as propostas seria um indício da formação de cartel e pagamento de propina, já que o mesmo padrão foi identificado pelo Ministério Público Federal em obras da Petrobras. O manuscrito mostra que a Odebrecht teria recebido 19% do valor do contrato, o equivalente a 11 milhões de reais. Ao jornal, a assessoria de Geraldo Alckmin e da Odebrecht não quis comentar sobre o documento apreendido.

Folha de São Paulo

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