Justiça notifica 14 doadores do vereador mais votado por suspeita de irregularidades

A campanha do recém eleito vereador de Campo Grande, o mais votado das eleições para a Casa de Leis, André Salineiro (PSDB), é alvo de suspeitas da Justiça Eleitoral. Em determinação do juiz Wilson Leite Corrêa Junior, 14 pessoas devem apresentar provas que mostrem a origem exata dos valores doados ao agente da Polícia Federal, agora parlamentar.

Policial federal e agora vereador eleito André Salineiro - Foto: Divulgação
Policial federal e agora vereador eleito André Salineiro – Foto: Divulgação

O policial federal declarou em 28 de outubro que gastou em sua campanha R$ 394.068,00, sendo que desses valores R$ 337.898 foram doados por pessoas físicas. Outras quantias tiveram origem em recursos próprios, doação de candidatos, doação de partido e recursos estimáveis. Ele foi o candidato mais votado para o cargo na Câmara, com 8.776 votos.

A Justiça Eleitoral indicou suspeita de que houve doadores com renda incompatível ao valor doado, relacionando três pessoas que não tiveram renda declarada nos 60 dias que antecederam a doação. Não foram divulgados os valores.

Outra apuração é de pessoas físicas extrapolando o limite legal de doação. Um caso foi de R$ 20 mil e o outro, R$ 4 mil.

O mesmo conferimento também indicou indício de empresas que receberam recursos da administração pública e podem, indiretamente, ter repassado dinheiro para a campanha de André Salineiro. Neste caso, nove pessoas foram notificadas e magistrado ainda requisitou à Secretaria da Receita Federal o valor dos rendimentos deles. Os valores ligados a esse tipo de doação variaram entre R$ 1 mil a R$ 20 mil.

Todos os 14 doadores serão notificados e terão 72 horas, a partir da notificação, para explicarem a origem do dinheiro e dar detalhes no processo. “Determino a notificação de tais doadores para, no prazo de 72 horas, comprovarem a origem dos valores, inclusive com extratos bancários para tanto”, escreveu o juiz em seu despacho.

Os infratores estão sujeitos à multa de até dez vezes o excesso, sem prejuízo de o candidato responder por abuso de poder econômico.

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