Juiz ouve réus de ação sobre desvios na Caixa; Cunha quer acompanhar audiências

iG / SF

Investigados por recebimento de propina em troca da liberação de recursos para
empresas começam a ser ouvidos hoje em Brasília; juiz deve decidir antes dos
interrogatórios se ex-deputado pode comparecer às audiências

Eduardo Cunha desembarca no aeroporto de Brasília, local de onde foi levado para a prisão em Curitiba 11 meses atrás. Foto: Fabio Rodrigues / ABr

A Justiça Federal em Brasília começa a ouvir a partir das 14h desta quarta-feira (20) os réus de ação penal decorrente da Operação Sépsis, que investiga a liberação de recursos por meio de fundos de investimento controlados pela Caixa Econômica Federal mediante ao pagamento de propina a agentes públicos.

Antes de tomar os primeiros depoimentos, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, deve deliberar sobre a possibilidade de autorizar o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) a acompanhar as audiências dos outros réus.

Eduardo Cunha está detido desde a última sexta-feira (15) em cela do Departamento de Polícia Especializada (DPE), em Brasília, onde deve permanecer até a próxima terça-feira (26). Seu depoimento está programado para as 14h de sexta-feira (22), mas ele pode vir a participar de outras audiências, caso obtenha permissão do juiz Vallisney.

A mudança temporária do peemedebista, que cumpria sentença da Lava Jato no Complexo Médico Penal em Pinhais (PR), foi pedida pela defesa do próprio Cunha e passou pela chancela do juiz Sérgio Moro, do juiz Vallisney e do Ministério Público Federal (MPF).

Também precisou se posicionar sobre o pedido do desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), relator do recurso de Cunha contra a sentença de Moro que condenou o ex-deputado a 15 anos e 4 meses de prisão.

Estão programados para esta tarde os depoimentos do empresário Alexandre Margotto e do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto. O lobista Lúcio Funaro, apontado como operador de Cunha no esquema, será ouvido às 10h da sexta-feira, mesmo dia em que o próprio peemedebista será interrogado, assim como o ex-ministro Henrique Eduardo Alves. Dessa lista, apenas Cunha e Henrique Alves não possuem acordo de delação premiada.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, também é investigado por suposta participação no esquema criminoso, mas é réu em outra ação penal.

Acusações contra Cunha
Os procuradores do Ministério Público Federal que atuaram nas operações Greenfield e Sépsis acusam Eduardo Cunha de ter cometido os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.

Segundo a denúncia recebida pela Justiça Federal em Brasília, Eduardo Cunha teria cobrado propina de empresas, entre 2011 e 2015, para liberar aportes financeiros por meio do fundo de investimentos do FGTS (FI-FGTS), controlado pela Caixa. O esquema, segundo a Procuradoria, teria rendido ao menos R$ 20 milhões em propina ao ex-deputado.

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