Jovem autista já está usando crachá para evitar ser morto

Menino autista, que quase foi baleado ao ser confundido com bandidos no Alemão, ganha identificação e promete que nunca mais vai tirá-la do peito

Crachá foi doado por um gráfico aposentado e morador da favela Foto: Divulgação
Crachá foi doado por um gráfico aposentado e morador da favela Foto: Divulgação

Rio – Terminou com final feliz — ao menos por enquanto — o drama do jovem Eduardo de Souza Silva, o Dudu, morador da Grota, no Complexo do Alemão. Nesta quarta-feira, o rapaz autista de 21 anos, que tem seis irmãos, ganhou o prometido crachá de identificação para não ser mais confundido com bandidos. Terça pela manhã Dudu quase levou um tiro porque, assustado, não obedeceu a ordem de parar dada por policiais. O rapaz foi salvo graças ao alerta de moradores, que impediram a ação.

“Ele ficou muito feliz e prometeu que nunca mais vai tirar o crachá do peito”, contou o produtor cultural Helcimar Lopes, que denunciou o caso nas redes sociais e se espantou com a repercussão. “A primeira coisa que ele me disse ao pegar o crachá é que tinha ficado famoso, pois todo mundo parou para falar da reportagem. Dudu é uma criança, não sabe a realidade”.
O crachá foi presente de um gráfico aposentado, que pediu para não ser identificado. Do tamanho de um Riocard, leva o nome de Dudu e seu apelido na frente. Na parte de trás estão os telefones de sua irmã e do tio.

Nesta sexta-feira, Helcimar vai tentar levar Dudu, e cinco cópias de sua foto em papel A3, à Coordenadoria de Polícia Pacificadora, que fica na entrada do complexo. “Eles precisam conhecer a história deste menino”, ressalta.

No Pavão, outro caso terminou em tragédia

O medo de que Dudu, um menino especial, seja confundido com um bandido e morto não é novidade na crônica policial do Rio. No Complexo do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, a tragédia se consumou dia 22 de abril de 2014, quando Edílson da Silva dos Santos apareceu morto após noite de conflitos na favela, em protesto contra o assassinato do dançarinho Douglas Rafael Pereira, o DG.
Edílson tinha problemas psicológicos e era querido na favela. O jovem, de 27 anos, era conhecido também na Av. Atlântica, em Copacabana, onde levava um rádio pendurado no pescoço, dançava funk e falava palavras sem sentido. O soldado Hebert Nobre Maia foi indiciado pelo Ministério Público, que pediu sua prisão pelo crime, mas a Justiça não aceitou a acusação e arquivou o inquérito.

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