Jornalista sofre abuso em vagão lotado do metrô e não recebe ajuda

Homem ejaculou na calça da vítima. Funcionário disse que ela ‘deveria ter se manifestado’ e que não havia o que fazer

Uma jornalista sofreu abuso em um vagão lotado do metrô de São Paulo nesta quarta-feira à noite, por volta das 19h30, na linha sentido Corinthians-Itaquera. Ela contou, em relato ao “R7”, que “o homem se sentiu no direito de se masturbar e se aliviar nela” no trajeto de 30 segundos entre a estação Brás e Bresser-Mooca e como o espaço estava muito lotado ninguém percebeu. ‘Minha calça vai para máquina de lavar, mas e a minha dignidade?’, desabafou a repórter.

'Minha calça vai para máquina de lavar, mas e a minha dignidade?', desabafou jornalista após abuso Foto:  Reprodução Internet
‘Minha calça vai para máquina de lavar, mas e a minha dignidade?’, desabafou jornalista após abuso
Foto: Reprodução Internet

Ela notou o abuso somente ao deixar o vagão e desesperada procurou um funcionário do metrô em busca de ajuda. No entanto, todas as alternativas que recebeu transferiram a responsabilidade para ela.

“Ele me dizia que não tinha o que fazer. Que EU deveria ter gritado, que EU deveria ter feito alguma coisa e se EU tivesse me manifestado, os próprios passageiros me ajudariam. Fiquei pensando em que momento o Metrô faria alguma coisa. Nada mais aconteceu”, comentou sobre a ação. “O funcionário perguntou se eu morava perto, eu disse que sim. E só. Nada de registro, nada de boletim de ocorrência, como se nada tivesse acontecido”, completou.

A repórter falou que chegou a olhar para o homem, mas que ele acabou embarcando em outro vagão. “Não notei nada até a porta estar prestes a se abrir e o barulho da movimentação intercalar com a respiração ofegante dele atrás de mim. Saí do vagão olhando para trás, desconfiada, e ele também saiu e me olhou”, disse.

“Foi quando meus pés tocaram a escada rolante que senti parte da minha calça esquentar. Quando coloquei a mão nela, notei que ela estava molhada. A palavra era nojo”, descreveu.

O Metrô declarou, em nota, que a repórter fez o correto em procurar um dos agentes para fazer a denúncia, mas explica que o funcionário a orientou de maneira errada ao dizer que “nada poderia ser feito”. “É totalmente contrária à orientação do Metrô de amparar as vítimas e auxiliá-las para a realização de um Boletim de Ocorrência”, informou o Metrô sobre a declaração, reiterando que lamenta a conduta errada relatada e que o empregado já foi identificado e será “reorientado”.

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