Joguei a toalha, diz diretor de ‘Cidade de Deus’ sobre ator na Cracolândia

O cineasta Fernando Meirelles, diretor de “Cidade de Deus”, diz que tentou de tudo para ajudar Rubens Sabino, 33, ator do filme que está vivendo na cracolândia, no centro de São Paulo. “Infelizmente eu esgotei os meus recursos emocionais”, afirma.

O ator Rubens Sabino como Neguinho (à esq.), no filme "Cidade de Deus", e na cracolândia, em SP
O ator Rubens Sabino como Neguinho (à esq.), no filme “Cidade de Deus”, e na cracolândia, em SP

O ator, intérprete do personagem Neguinho no filme indicado ao Oscar, foi visto pela reportagem perambulando na região, com roupas doadas e pedindo dinheiro. Afirmou viver na cracolândia há três anos e ser usuário de drogas desde os 13 anos –mas dizia estar “limpo”.

Meirelles, que dirigiu Sabino (a quem chama de Rubinho) em “Cidade de Deus”, disse que deu emprego e moradia ao jovem, além de ajudá-lo a estudar.

Sabino foi encontrado, nesta quarta-feira, entre centenas de usuários na área conhecida como cracolândia, durante uma operação da Prefeitura de São Paulo no centro da cidade.

Ele foi surpreendido pela chegada de policiais militares que foram chamados para conter os dependentes de crack que tentavam impedir a retirada das barracas montadas no local para o consumo da droga.

Houve confusão e resistência por parte dos usuários que atearam fogo em papelões interditando ruas da região da Luz. Em resposta, a PM disparou bombas de efeito moral. No confronto, dois homens foram atingidos por tiros e levados para o pronto-socorro da Santa Casa.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a polícia reagiu após ser agredida por moradores de rua.

Rubens Sabino Silva não se feriu na confusão. Porém, durante a ação, o ator conversou com o ex-senador Eduardo Suplicy, que acompanhava a retirada dos usuários de drogas do local.

Vivendo na rua há dez anos, Rubens chegou a praticar crimes quando vivia no Rio de Janeiro para manter o vício. Em 2003, foi preso ao roubar uma bolsa, em um ônibus. Após ser solto, Rubens buscou ajuda para ser internado numa clínica de reabilitação, entretanto, voltou a consumir crack ao deixar o tratamento, como informou o jornal O Dia.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, 150 pessoas que estavam no local foram hospedadas em hotéis e serão encaminhadas para vagas de trabalho e cursos profissionalizantes.

Folha.com

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