Intimado pela PF a depor sobre venda de MPs, Lula cita apenas medida assinada por Dilma

Polícia Federal quer ouvir ex-presidente sobre envolvimento de seu filho caçula nas denúncias de venda de medidas provisórias. Petista afirma que ‘MP em questão foi editada’ por Dilma

Lavando às mãos: Em nota, ex-presidente afirmou que ‘a MP em questão foi editada em 2013’, ano em que Dilma já estava no poder (foto: Andressa Anholete / AFP PHOTO)

A Polícia Federal expediu mandado para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja intimado a prestar depoimento na Operação Zelotes. O mandado 6.262 determina o comparecimento do ex-presidente na próxima quinta-feira, na sede da Polícia Federal, em Brasília. Os investigadores querem ouvi-lo sobre a atuação da empresa do filho dele, Luís Cláudio Lula da Silva. Em nota, Lula afirmou que ainda não foi intimado e joga parte da culpa sobre a presidente Dilma Rousseff. Ele ressalta que “sempre esteve à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento da verdade.” O ex-presidente explicou que “não tem qualquer relação com os fatos investigados” ao afirmar que “a MP em questão foi editada em 2013”, quando Dilma Rousseff já era presidente, e convertida em lei pelo Congresso no mesmo ano.

Dilma assinou uma das três medidas provisórias que estão sob investigação na Operação Zelotes, a 627/2013. As demais (471/2009 e 512/2010) foram editadas por Lula. Cabe ao presidente da República editar MPs e ao Congresso aprovar ou rejeitá-las, convertendo-as em leis a serem sancionadas pelo chefe do Executivo. Embora o ex-presidente mencione na nota que “a MP em questão foi editada em 2013”, a determinação do delegado da PF Marlon Cajado para que Lula seja ouvido não menciona uma medida provisória específica, mas “investigação criminal dos fatos relacionados ao lobby realizado para obter benefícios fiscais”.

Procurado, o Palácio do Planalto informou que não vai comentar “investigação em andamento” e não se manifestou sobre a afirmação de Lula. Na nota, assinada pela assessoria de imprensa do Instituto Lula, o ex-presidente não mencionou as MPs assinadas por ele próprio. Na sexta-feira, 12, em evento do jornal El País, em Madri, o ex-presidente citou as denúncias que envolvem seu nome. “Eu desafio, mesmo aos empresários que estão sendo delatados, aqueles que estão presos, a dizer se um dia eles tiveram 20 segundos de conversa comigo sobre qualquer coisa que fosse ilegal”, afirmou.

Filho mais novo do ex-presidente, Luís Claudio recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas montadoras Caoa e MMC para fazer o lobby pelas MPs. A Marcondes & Mautoni recebeu cerca de R$ 32 milhões durante o período em que estariam em curso as negociações para a alteração das medidas provisórias de concessão de benefícios para as montadoras. Os sócios da consultoria, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e já foram denunciados.

O filho de Lula prestou depoimento e é alvo de um novo inquérito que investiga sua relação com a empresa de lobby. Perícia da PF identificou que o trabalho que Luís Claudio diz ter prestado para a Mautoni se resume a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

Fonte: O Estado de Minas

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