Instituições não devem ser atacadas, diz Aécio sobre denúncia contra Lula

O presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), disse hoje (10) que as instituições do país não devem ser atacadas ao ser comentar sobre a denúncia apresentada ontem (9) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou à Justiça paulista denúncia contra Lula pelos supostos crimes de ocultação de bens, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em relação à compra de um apartamento tríplex no Guarujá (SP).  Caso a denúncia do promotor Cássio Conserino, responsável pelo caso, seja aceita pela Justiça do estado, Lula passará a ser réu na ação.

“[É preciso ter] Serenidade para apresentarmos respostas para todos os questionamentos e eu me incluo entre essas pessoas. Tem de haver espaço para ampla defesa. O que nós não podemos fazer em uma hora como esta é ter como defesa o ataque as nossas instituições”, afirmou Aécio Neves.

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Desde o início das investigações, o ex-presidente nega que seja proprietário do apartamento.

Em nota, o Instituto Lula informou que Lula e a mulher, Marisa Letícia, adquiriram, em 2005, uma cota-parte referente ao antigo condomínio Solaris, então sob responsabilidade da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). A compra foi declarada ao Fisco.

Jantar

Ao comentar o jantar ocorrido ontem (9) entre lideranças tucanas e do PMDB, como Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR), Aécio Neves disse que o PSDB deve buscar saída para crise. “É papel do PSDB conversar com as principais forças políticas e sem qualquer rodeio em busca de saídas para a crise. Há um consenso entre nós – e esse consenso não é da classe política, e sim, da sociedade brasileira – são dos empresários que investem, das organizações sociais independentes – de que com a presidenta Dilma o Brasil não reencontrará o caminho da retomada do crescimento, do início de um novo ciclo”, avaliou.

O encontro ocorreu no mesmo dia em que peemedebistas se reuniram com Lula para um café da manhã em Brasília e às vésperas da Convenção Nacional do partido em Brasília, que vai eleger o novo diretório da legenda. A expectativa é que no encontro seja apresentada uma moção apoiada por vários diretórios regionais para que a sigla rompa a aliança com o governo da presidenta Dilma.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou minimizar a importância do jantar com os tucanos. “Não foi a primeira e nem será a última vez. Temos conversado e com certeza vamos continuar conversando para encontrar saídas”, afirmou Renan sobre o jantar.

Renan acrescentou que ontem também converso com a presidenta Dilma e fez questão de lembrar que há tempos decidiu adotar uma posição de independência como presidente do Congresso. “Eu não sou governo. Entendi desde o início que a posição adequada para o presidente do Congresso Nacional é a isenção. Com isenção, você pode ajudar mais a democracia e eu não participarei do governo enquanto estiver na presidência do Senado Federal”, afirmou.

Sobre o debate em relação à posição do partido no governo, que será debatida na Convenção Nacional do PMDB no sábado (12), Renan Calheiros disse que a legenda tem que ser responsável. “O PMDB tem que ser a saída para a crise, o poder moderador, o pilar da sustentação da democracia. O PMDB deve fazer sua convenção com muita responsabilidade, porque qualquer sinalização que houver em torno do posicionamento do PMDB pode diminuir ou aumentar a crise”, defendeu.

Manifestações

Aécio Neves classificou como “provocação” se de atos em defesa do ex-presidente Lula e do governo da presidenta Dilma Rousseff forem convocados para o próximo domingo (13), quando serão realizadas manifestações contra o governo e a favor do impeachment de Dilma em várias cidades do país, convocadas pelo Movimento Vem pra Rua. “Se isso realmente ocorrer, e eu espero que isso não ocorra, é uma manifestação de quem não está acostumado com a democracia. As manifestações a favor ou contra são legítimas, tem que acontecer, mas em paz. Se existe uma manifestação dessa magnitude, marcada há meses, ela tem que ser respeitada”, disse.

“Vamos em paz para as ruas com as nossas famílias e com a Constituição brasileira nas mãos, porque qualquer que seja a saída, terá que se dar pela Constituição”, acrescentou.

Agência Brasil

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