Inflação de agosto na capital registra menor índice do ano

Em agosto, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) voltou a cair e encerrou em 0,30%, uma queda de 0,09% em relação ao mês anterior, com inflação de 0,39%. Menor índice de 2016, o indicador também ficou ligeiramente abaixo do registrado em agosto de 2015, quando chegou a 0,31%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp.

IPC de agosto registra 0,30%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp
IPC de agosto registra 0,30%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

Os principais responsáveis pela inflação do mês passado foram os grupos: Alimentação, com aumento médio de 0,88% e contribuição para a inflação de 0,18%; Habitação, que sofreu elevação de 0,16% e contribuiu 0,05% para o índice geral do mês; Vestuário, que registrou acréscimo de 0,32% e contribuição de 0,03%; Saúde, que aumentou 0,30% e colaborou com 0,02%; e Despesas Pessoais, que teve elevação 0,03%, porém, não impactou no índice mensal. “Os grupos Transportes e Educação apresentaram pequenas deflações: -0,23% e -0,20%, respectivamente”, explica o coordenador do Nepes da Uniderp, Celso Correia de Souza.

Acumulado

A inflação acumulada nos últimos doze meses caiu apenas 0,01% em relação ao acumulado até julho: fechou em 9,33%, ainda está acima do teto, de 6,5%, e do centro, de 4,5%, das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para pesquisador da Uniderp, o resultado sinaliza que “a inflação acumulada de 2016 não deve atingir o teto da meta, como é esperado pelo governo, pois a queda está muito lenta”, explica. Durante o período, registraram os maiores índices: Alimentação (16,91%), Educação (12,71%) e Transportes (9,33%). “Percebe-se, que a inflação tem impactado com mais força as classes com menor poder aquisitivo, que priorizam a alimentação neste período de dificuldade”, complementa o professor.

No acumulado de 2016, a inflação já atinge 5,57%, ultrapassando o centro da meta do CMN. “São esperados indicadores menores nos próximos meses, principalmente, pela melhora do clima. Apesar de ainda penalizar a inflação da Alimentação, o clima poderá ajudar a baixar o índice do grupo, impactando na redução da inflação geral”, analisa Celso. Em oito meses, as maiores inflações ocorreram com os grupos: Educação (11,13%), Alimentação (7,97%), Despesas Pessoais (7,66%) e Saúde (6,97%).

Maiores e menores contribuições 

Os dez “vilões” da inflação,em agosto, foram: 

  • Leite pasteurizado, com inflação de 7,42% e contribuição de 0,08%;
  • Arroz, com inflação de 5,81% e contribuição de 0,07%;
  • Alcatra, inflação de 3,75% e participação de 0,05%;
  • Aluguel casa, com variação de 0,63%  e colaboração de 0,04%;
  • Feijão, com acréscimo de 8,55% e contribuição de 0,04%;
  • Automóvel novo, com aumento de 1,63% e participação de 0,03%;
  • Alho, com variação de 45,03% e colaboração de 0,03%;
  • Sapato masculino, com acréscimo de 7,15% e contribuição de 0,03%;
  • Mamão, com reajuste de 45,67% e participação de 0,03%;
  • Aluguel de apartamento, com elevação de 0,56% e colaboração de 0,03%.

Já os 10 itens que ajudaram a reter a inflação no período, com contribuições negativas, foram: 

  • Gasolina, com deflação de -1,53% e contribuição de -0,06%,
  • Cebola, com redução de -42,34% e colaboração de -0,06%;
  • Batata, com diminuição de -11,96% e participação de -0,04%;
  • Gás em botijão, com decréscimo de -1,10% e contribuição de -0,03%;
  • Acém, com baixa de -3,53% e colaboração de -0,03%;
  • Sabão em pó, com diminuição de -1,59% e participação de -0,02%;
  • Patinho, com redução de -5,00% e contribuição de -0,02%;
  • Hidratante, com decréscimo de -4,02% e colaboração de -0,02%;
  • Fio dental, com queda -2,86% e participação de -0,01%;
  • Contrafilé com baixa -1,42% e contribuição de -0,01%.

Segmentos

Em agosto, o grupo Habitação teve alta de 0,16% em relação ao mês anterior, motivada, principalmente, pelo aumento de produtos de uso doméstico, como: desinfetante (7,96%), pilha (6,19%) e saponáceo (5,33%). Quedas de preços ocorreram com lâmpada (-4,89%), esponja de aço (-3,09%), carvão (-2,80%), entre outros.

O grupo Alimentação também voltou a subir e fechou o mês com 0,88%. As maiores altas de preços que ocorreram com: mamão (45,67%), alho (45,03%) e melão (22,02%). As principais quedas de preços foram registradas com: cebola (-42,34%), manga (-24,21%), farinha de aveia (-20,18%), entre outros.

Dos 15 cortes de carnes bovina pesquisados pelo Nepes da Uniderp, apenas quatro sofreram aumentos de preços: fígado (3,90%), vísceras de boi (3,38%), picanha (3,08%) e alcatra (2,75%). Já as quedas ocorreram com: lagarto (-5,68%), cupim (-5,09%), patinho (-5%), coxão mole (-4,74%), filé mignon (-3,65%), acém (-3,53%), músculo (-2,20%), paleta (-2,13%), peito (-1,47%), contrafilé (-1,42%) e costela (-0,08%). Em relação ao frango, a versão congelada teve alta de 2,98% e os miúdos de frango 0,01%. Já a carne suínaapresentouredução de preços em todos os cortes apurados pelo departamento de pesquisa da universidade: pernil (-3,22%), a bisteca (-1,34%) e a costeleta (-0,98%).

Pelo segundo mês consecutivo, o grupo Transportes registrou queda. Em agosto o índice fechou em -0,23%, motivado, principalmente, pela redução dos preços dos combustíveis. Os principais aumentos de preços ocorreram com: automóvel novo (1,63%) e passagens de ônibus intermunicipal (0,59%). Quedas de preços foram registradas com gasolina (-1,53%) e diesel (-0,15%).

O grupo Educação também apresentou deflação e fechou em -0,20%, devido às quedas de preços de produtos de papelaria. Já o grupo Despesas Pessoais sofreu pequena alta: 0,03%. Papel higiênico (3,27%), creme dental (2,69%) e produto para limpeza de pele (1,38%) foram os itens com os maiores aumentos de preços. Quedas de valor ocorreram com fio dental (-2,86%), hidratante (-2,02%) e sabonete (-1,19%).

Com relação ao grupo Saúde, o resultado foi de 0,30%.Os produtos que sofreram majorações de preços foram: anti-infeccioso e antibiótico (2,13%), antimicótico e parasiticida (1,35%) e exame de laboratório (0,66%). Deflações ocorreram com antialérgico e broncodilatador (-1,97%), analgésico e antitérmico (-1,33%) e material para curativo (-0,76%).

Já o grupo Vestuário fechou com alta de 0,32%. Os maiores aumentos ocorreram com: sapato masculino (1,15%), vestido (0,94%) e camiseta masculina (0,51%). As reduções foram registradas com saia (-2,48%), camisa masculina (-1,91%) e lingerie (-0,94%).

 

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