Grupo de Estudo e Pesquisa do HUMAP promove “I Curso de Prevenção ao Suicídio” do Brasil

Capelão do HUMAP,
Capelão do HUMAP, Edilson Reis. (Foto: Paulo Francis)

O estado de Mato Grosso do Sul se destaca no cenário nacional por um triste índice, pois aparece em quarto lugar do país no ranking de mortes por suicídios, conforme dados do “Mapa da Violência”, divulgado em 2014. O quadro nacional também apresenta número elevado deste tipo de morte, fazendo com que o Brasil figure em oitavo lugar no ranking mundial, segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o Capelão do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP), Edilson Reis, que é um grande estudioso do assunto, os maiores motivos hoje para o ato suicida é a depressão, ou seja, algum distúrbio mental que esse individuo apresenta. Outro fator identificado é que o agrotóxico é um agente que  também pode causar o suicídio, principalmente na região sul do país. “O suicídio é um ato de auto extermínio do individuo onde varias situações da vida dele como o sistema emocional, financeiro, religioso interagem de uma forma complexa que leva a pessoa ao ato suicida. Mas na verdade nós temos percebido nos estudos que esse individuo não quer morrer, ele quer simplesmente se livrar do problema e do sofrimento que está passando”, conta.

De acordo com Edilson, a Organização Mundial de Saúde, baseada nos especialistas que atuam na prevenção e estudam esse fenômeno, realizou vários estudos e produziu manuais, sendo um deles a “Mídia e Suicídio: Formas de Prevenção”, que aborda a questão da divulgação do suicídio em noticiários e jornais ter o poder de influenciar outras pessoas fragilizadas a cometer tal ato. “O manual aponta que é um ato que tem que ser noticiado sim mas de uma forma profissional, apresentando principalmente as alternativas que existem na sociedade, onde as pessoas podem buscar ajuda. O problema é que muitas pessoas não buscam ajuda por existir um mito na sociedade e nas religiões que o ato suicida é um ato condenatório, mas não é bem assim, pois uma dor não compartilhada dói mais”, explica.

Ele ressalta que através da informação da mídia população vai ter absoluta certeza que é um ato que tem como a pessoa sair. Segundo estudos da Organização Mundial de Saúde quase 80% dos suicídios poderiam ser evitados se tivessem alternativas de tratamento disponibilizadas e informações adequadas. “Durkheim que estudou este tema a quase 100 anos atras, nos relata que o suicídio é uma denuncia individual de uma crise coletiva, portanto se existe uma crise nós temos que ver o foco e apresentar uma solução para isso” afirma.

Edilson Reis aproveita o espaço para divulgar o “I Curso de Prevenção ao Suicídio” do Brasil, promovido pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Boética do HUMAP. O público alvo são profissionais de saúde, da segurança pública e da área da educação, além de universitários, residentes, preceptores, tutores, docentes, religiosos e comunidade em geral.

O curso é gratuito e acontece de 28 de julho a 30 de novembro deste ano. Ao todo, serão 50 vagas e os interessados devem enviar os dados até o dia 18 de julho para o email: [email protected] A carga total é de 200 horas e as aulas serão realizadas terças e quartas-feiras, das 19h às 22h, no Auditório 1 da Faculdade de Medicina/FAMED-UFMS.

Paulo Francis

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