Grito dos Excluídos com “Fora Temer” reúne milhares pelo Brasil e na Capital

7set2016-manifestantes-segura-cartazA comemoração da Independência do Brasil, nesta manhã de quarta-feira, do 7 de setembro, levou milhares por todo o Brasil, para assistir ao tradicional “espetáculo” dos desfiles militar-cívico. Mas, neste dia “patriótico”, as ruas também ganharam muita gente, milhares por todas as Capitais, como Campo Grande, e grande cidades do País, que foram para fazer protestos contra a atual situação político-administrativa da Nação. O recém instalado Governo Federal, era o grande alvo, com o principal grito de “Fora Temer”, como vem ocorrendo há uma semana, sendo dirigido em desfavor do presidente Michel Temer, que assumiu a Presidência da Republica, a uma semana, no que muitos consideram como golpe deferido contra a democracia brasileira.

As manifestações ganharam adesão de muitos que foram só ao desfile ou que se juntou ao também tradicional Grito dos Excluídos, que é promovido há 22 anos pela ala progressista da Igreja Católica com Movimentos Sociais. São Paulo e Recife-PE tiveram as maiores concentrações, mas que também se somaram a grande movimentos de Belo Horizonte, Salvador, Brasília, denre outras cidades. Em Campo Grande, que tem uma quase hegemonia cultura de classe “não protestante”, a participação pode ser considerada tímida, principalmente ante a imagens e números de outras cidades brasileiras, mesmo se considerarmos o tamanho das mesmas.

foratemer_cgNa Capital, aconteceu especificamente o Grito dos Excluídos, tendo reivindicações sociais antigas e novas, mas também com brado de “Fora, Temer”, reunindo cerca de mil pessoas na Rua 14 de Julho. Tradicionalmente realizado após ao desfile da Independência, o ato também foi, mais uma vez, ignorado pelas autoridades, que se dispersam do palanque com o fim da programação oficial. O movimento reuniu representantes de sindicatos, entidades, indígenas, negros e partido político. “Essa união dos movimentos é porque ainda temos que chamar atenção das autoridades para desenvolver, conitnuar ou ainda assim criar, políticas públicas paras as categorias que representamos”, disse Romilda Pisani, do grupo TEZ (Trabalho e Estudo Zumbi).

O protesto campo-grandense teve um caixão com a inscrição democracia, simbolizando a possível morte do Estado de Direitos Democratico do Brasil. Os cartazes pediam a saída do presidente Michel Temer (PMDB) e questionavam o então processo e Impeachment de Dilma Rousseff (PT), que ocorreu na última quarta-feira, 31 de agosto.

Como foi pelo Brasil

Em Brasilia, como o Página Brazil publicou em matéria anterior, especifica de primeiro protesto na Capital Federal, uma frase também unificou hoje (7) o discurso dos participantes do Grito dos Excluídos do Distrito Federal: Fora Temer. A manifestação foi realizada do lado oposto ao do desfile do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios: “Eu já falei, vou repetir, é o povo que tem que decidir”, diziam os manifestantes, em sua maioria integrantes de movimentos sociais e estudantis e entidades civis. Eles pediam a saída de Michel Temer da Presidência da República e que o povo decida sobre os novos governantes.

Do lado oposto ao do desfile oficial, manifestantes pedem saída de Temer Marcelo Camargo/Agência Brasil
Do lado oposto ao do desfile oficial, manifestantes pedem saída de Temer (Foto: Marcelo Camargo/AB)

“Mesmo que vença alguém de direita, que o povo possa decidir. Que o Temer se candidate e apresente seu plano de governo”, disse Ademar Lourenço, um dos coordenadores do Grito. “Estamos aqui para mostrar o repúdio da população. As medidas que o Temer propõe são piores que as de todos os governos anteriores: Dilma, Lula e até FHC.”

De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, no auge da manifestação, havia cerca de 2,7 mil participantes. Para os organizadores, eram 10 mil, como que acompanhada por amigas, a estudante Luiza Lucchesi, mostrava um cartaz com a frase “Fora, Temer” escrita repetidas vezes. “Repito quantas vezes forem necessárias”, afirmou a estudante. “A gente não pode ficar em casa se escondendo”, acrescentou Luiza.

Os manifestantes fizeram também críticas à proposta da reforma da Previdência, que poderá tornar mais rígidas as regras de aposentadoria e a proposta de fixação de um teto para o reajuste orçamentário, contida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016. Reclamaram também da falta de representatividade de mulheres, negros e representantes dos grupos LGBTs no governo e negros no governo.

“Vimos o desfile e viemos para cá, temos que mostrar nossa insatisfação”, disse Inone Miranda, profissional de limpeza. “Essa é a primeira manifestação dela”, acrescentou, apontando para a filha, Melissa, de 8 anos. Com um sorriso no rosto, Melissa disse que achou muito animado. “Fora, Temer, fora, Temer, fora, Temer”, saía a menina, gritando e pulando entre os manifestantes. A mãe ia atrás.

RECIFE 

A capital pernambucana participa desde a primeira edição do evento, há 22 anos (Foto: Sumaia Villela/AB)
Capital pernambucana participa desde a 1ª edição do evento, há 22 anos (Foto: Sumaia Villela/AB)

O Grito dos Excluídos, na capital de Pernambuco, uniu neste ano a tradicional pauta de demandas por direitos sociais, respeito aos direitos humanos e reformas estruturais ao pedido da saída do presidente Michel Temer do poder e a críticas às mudanças defendidas publicamente pelo atual governo federal. O lema de 2016 também é uma crítica ao capitalismo, onde “Este Sistema é Insuportável: Exclui, Degrada, Mata” disseram organizadores, apontando discurso feito pelo papa Francisco na Bolívia.

Sandra Gomes, representante do Fórum, explica porque, neste ano, o movimento decidiu se posicionar contra o presidente Michel Temer. “Nós consideramos que não há impeachment, há golpe. E vamos combatê-lo nas ruas. É um governo que só espera um momento para acabar com a classe trabalhadora. Não vemos perspectiva de melhora com o governo Temer. Ao contrário, vamos perder direitos sociais”, argumentou.

Os organizadores diziam que de cima do caminhão de som principal da manifestação, que segue à frente na caminhada, não era possível ver o fim da multidão na avenida. Como também relataram que das janelas dos prédios muitas pessoas se manifestavam, em apoio ou contra o ato. “Um dos moradores escreveu ‘vitimistas’ em um caderno, exibido com uma bandeira do Brasil. Uma senhora segurava um terço de madeira enquanto apontava o polegar para baixo. Contudo, muitas outras pessoas balançavam panos vermelhos e bandeiras do Brasil e aplaudiam o protesto”, descreveu Sandra.

Eleições – Muitas faixas também pediam pela “volta da democracia” e classificavam o impeachment como golpe. Fotos de parlamentares pernambucanos que votaram pelo afastamento de Dilma, inclusive de ministros, foram divulgadas em faixas junto ao termo “golpistas”. Um pedido comum, também, era o de eleições imediatas. De acordo com a organização do Grito dos Excluídos, não houve discussão do movimento para definir um posicionamento unificado em torno das eleições, mas na rua os manifestantes expressavam esse desejo.

organização estimou em 10 mil pessoas o número de participantes. Já a Polícia Militar informou que não faz estimativa de participantes (Foto: Léo Rodrigues/Agência Brasil)
organização estimou em 10 mil pessoas o número de participantes. (Foto: Léo Rodrigues/Ag.BRasil)

BELO HORIZONTE

O ato Grito dos Excluídos no centro da capital mineira se converteu em um protesto contra o governo de Michel Temer. Contrários ao processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, eles pediam agora a convocação de eleições diretas. “Não se trata de um deslocamento do Grito dos Excluídos. Todos nós, povo brasileiro, classe trabalhadora, juventude, pobres e negros, estamos excluídos. Esse golpe excluiu as mulheres do poder e dos ministérios, excluiu a diversidade, excluiu a perspectiva de futuro. Portanto, é natural que os excluídos peçam a saída de Michel Temer”, disse Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG).

Ao passar pela Praça Sete, o ato encontrou uma barreira de policiais fechando a passagem para a Avenida Afonso Pena, onde ocorria o desfile oficial da prefeitura – que também acontece anualmente no dia 7 de setembro. Na praça, também estava montado um estande onde miliantes favoráveis ao impeachment recolhiam assinaturas em apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 412, que trata da autonomia funcional e orçamentária da Polícia Federal. Apesar do encontro entre manifestantes que defendem posicionamentos políticos distintos, não houve incidentes.

Ainda na Praça Raul Soares, ponto de partida da manifestação, os rondonianos se sujaram de lama para lembrar a tragédia que ocorreu no município de Mariana (MG), em novembro do ano passado, quando uma barragem da mineradora Samarco se rompeu deixando 19 mortos e provocando danos ao meio ambiente. “Foi uma forma de repudiar a Samarco e manifestar solidariedade às famílias que estão se organizando na beira do Rio Doce para exigir seus direitos. A sociedade acordou para dizer que não aceitará nenhum direito a menos”. disse Miqueias Ribeiro.

Maior grito –  A organização estimou em 10 mil pessoas o número de participantes no ato. Já a Polícia Militar informou que não faz estimativa de participantes. O ato se dispersou às 14h e, para Nilmário Miranda, ex-ministro dos Direitos Humanos e atual titular da Secretaria de Direitos Humanos do Estado de Minas Gerais, é o maior de todos. “Michel Temer está mudando o projeto de país que foi escolhido nas urnas. E está estimulando esse movimento, pois as pessoas não vão aceitar esse golpe. Ano passado tiveram 500 pessoas no Grito dos Excluídos. Esse é o maior grito da história dos gritos”, disse.

fora-temereRIO DE JANEIRO

Grito dos Excluídos no Rio protesta contra capitalismo e impeachment. Assim, a tradicional manifestação Grito dos Excluídos, no Rio de Janeiro, ganhou novos lemas e bandeiras neste 7 de Setembro com a adesão de grupos contra o impeachment. O ato, que já está na sua 22ª edição, ocupou cerca de um quilômetro de uma das pistas da Avenida Presidente Vargas, e a marcha percorreu cerca de dois quilômetros até a Praça Mauá. Policiais militares acompanharam todo o trajeto. Um enorme cartaz com a frase “Este sistema é insuportável, exclui, degrada, mata!” guiou a multidão. Manifestantes levaram bandeiras e cartazes com o “Fora, Temer! e “Não ao Golpe”. Grupos pediam novas eleições, alguns eleições gerais, outros a revolução e o voto nulo.

O professor de geografia Thiago Roniere, integrante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, defendeu que o Congresso e o processo eleitoral atuais perpetuam desigualdades. “Estamos aqui não apenas para reivindicar a derrubada do Temer, como também propor uma organização social que não espere repostas pelo canal eleitoral. Os movimentos de base, comunitários, a juventude e os trabalhadores, que estão sofrendo, precisam se organizar para além do processo político e do calendário eleitoral e tomar consciência que são precarizados há muito tempo”, disse. “Antes deste golpe parlamentar, o próprio PT foi responsável pelo avanço do neoliberalismo e sacrificaram direitos civis consagrados dos trabalhadores. A revolução não se dá pelas urnas”.

Até torcedores de times de futebol também participaram do protesto. O alvinegro Gilberto Palmares, ex-deputado, ajudava a segurar a faixa com os dizeres “Botafoguenses contra o golpe, pela democracia”. “Futebol é emoção, é povo. É a emoção que está levando uma parcela da população a continuar nas ruas, lutando pela democracia, torcedores têm que se engajar,” disse Palmares.

Em menor número, muitos pais com crianças participaram do evento. Hayana Malta, 19 anos, mãe de Sarah, de 2 anos, fez questão de levar a filha às manifestações, com as quais se identifica. “Faço parte do movimento Mães e Crias na Luta, que são mães feministas que enxergam a importância de levar os bebês nas manifestações, para mostrar que mães também podem participar. Este ato é para mim e para ela, que vai crescer conscientizada, lutando pela democracia”.  Após quatro horas, o ato terminou sem confrontos nem casos de violência.

contra reformas da Previdência e Trabalhista na capital gaúchaDaniel Isaia/Agência Brasil
Contra reformas da Previdência e Trabalhista na capital gaúcha (Foto:Daniel Isaia/Agência Brasil)

PORTO ALEGRE

A marcha do Grito dos Excluídos na capital gaúcha era composta por integrantes do MST e também, por membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por movimentos negros, feministas e de pessoas LGBT. Representantes dos bancários, que estão em greve nacional desde ontem, também acompanharam a caminhada.

Durante o percurso, os militantes carregaram cartazes e entoavam gritos de ordem que pediam a saída do presidente Michel Temer. “A pauta da marcha deste ano está dialogando com a conjuntura que está aí. Já estamos prevendo as medidas desse novo governo, que certamente vai enfrentar a classe trabalhadora, seja pela [reforma da] Previdência, seja pela redução de direitos, seja pelo impedimento de grandes programas que dialogam com as nossas necessidades”, disse Cedenir de Oliveira, representante da direção nacional do MST.
A representante da Frente Brasil Popular, Vitalina Gonçalves, ressaltou que a luta está na natureza dos grupos oprimidos da sociedade. “O Grito dos Excluídos de hoje tem esse tom especial, mas sempre estivemos resistindo. Até porque a burguesia nunca aceitou nossas conquistas nesse país”, afirmou.

SALVADOR

No Centro de Salvador, manifestantes fizeram passeata hoje (7) na 22ª edição do Grito dos Excluídos, com a participação de representantes de movimentos sociais, religiosos e centrais sindicais. Concentrados na Praça Dois de Julho, no Campo Grande, os participantes incluíram mais duas demandas ao movimento pelos direitos das minorias: a saída de Michel Temer da Presidência da República e a realização de eleições gerais. Segundo os organizadores, mais de 15 mil pessoas participaram do ato de hoje. A PM não divulgou a estimativa de participantes.

Um dos coordenadores do movimento, padre José Carlos Silva, coordenador das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Salvador, disse que a pauta do evento anual permanece pelos pobres e menos favorecidos, mas este ano é também pela democracia. “A gente tem que lutar pelos mais pobres e se, neste momento, os pobres ficam cada vez mais excluídos, a Igreja tem que estar do lado deles, e apoiando. É por isso que hoje, no Grito dos Excluídos, a gente diz também “Fora, Temer”, afirmou o líder religioso.

foratemer_spA estudante Marcela Carvalho, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), representante do Coletivo Juventude e Revolução, afirmou que o presidente Michel Temer representa a queda da democracia, “já que entrou na presidência por meio de um golpe”. “Estamos aqui em defesa da democracia e contra o golpe de Estado no país. A UFBA vem sofrendo corte nas verbas, e isso é uma afronta, porque é um caminho para a privatização da universidade pública. Estamos aqui em defesa disso, defendemos o governo de Dilma, que foi eleita democraticamente com 54 milhões de votos”, disse a estudante de Artes Cênicas.

Também representando coletivos populares, grupos de jovens negros gritavam pela democracia a cantavam palavras de ordem contra o atual presidente.  Entre os sindicatos e centrais sindicais, havia representações das áreas de saúde, educação, segurança e serviços, como o sindicatos dos Trabalhadores Domésticos da Bahia. Uma das diretoras da entidade, Marinalva Barbosa, disse que é contra a chegada de Temer à Presidência da República. “Isso é um retrocesso aos movimentos sociais e às políticas públicas que estavam em andamento, por isso dizemos “Fora, Temer”. A gente vê nossos direitos ameaçados e até mesmo aqueles que ainda queremos reivindicar. Para nós, o dia 31 de agosto foi o dia da morte da democracia brasileira”, afirmou Marinalva.

Histórico

O Grito dos Excluídos surgiu dentro da Igreja Católica, em 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano. Em 1999, o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas. No Brasil, os atos ocorrem em diferentes cidades, no dia da Independência, e reúnem pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.

Com infomarções Agência Brasil

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