Governo americano continuava espionando presidente Dilma Rousseff e embaixadores do Brasil

Na semana em que a presidente Dilma Rousseff fez uma viagem para os Etados Unidos para um encontro com o presidente americano Barack Obama, surgem provas de que o governo brasileiro continou sendo espionado para agência de segurança nacional americana, a NSA. A “GloboNews” teve acesso à lista de 29 telefones brasileiros grampeados no início do mandato da presidente. O conteúdo foi divulgado simultaneamente pelo “Wikileaks” e pelo site “The Intercept”.

Dilma Rousseff e Barack Obama durante a visita da presidente brasileira aos Estados Unidos: novo esquema de espionagem foi descoberto Foto: Carolyn Kaster / AP
Dilma Rousseff e Barack Obama durante a visita da presidente brasileira aos Estados Unidos: novo esquema de espionagem foi descoberto Foto: Carolyn Kaster / AP

De acordo com a lista, o telefone via satélite da empresa Inmarsat, usado pela presidente brasileira no avião presidencial, estava grampeado, além de quatro números do escritório da presidente no Palácio do Planalto, o assessor pessoal da presidente, Anderson Dornelles, e a secretária Nilce.

Diferente dos documentos vazados pelo ex-agente Edward Snowden, que o “Fantástico” mostrou em 2013, essa é uma lista de espionados que foi crescendo. O programa de espionagem à presidente tinha o código S2C42, que aparece junto de alguns dos nomes revelados agora. É o código para espionagem de questões políticas relacionadas ao Brasil.

Ao lado dele aparecem Marcos Raposo, que foi embaixador do Brasil no México e chefe do cerimonial da Presidência da República; os diplomatas que ocupavam cargos no Itamaraty André Amado, da Subsecretaria de Ambiente e Tecnologia, Valdemar Leão, assessor financeiro, Paulo Cordeiro, da Secretaria de Assuntos Políticos, Roberto Doring, assessor do ministro das Relações Exteriores, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, então subsecretário-geral de Meio Ambiente. Ele era o negociador do Brasil nas questões do clima, depois foi ministro das Relações Exteriores e hoje é embaixador do Brasil em Washington.

Outros nomes do alto escalão da diplomacia brasileira também esram espionado, como o embaixador Luiz Filipe de Macêdo Soares, com um telefone da residência oficial dele em Genebra, onde era o representante permanente do Brasil junto à Conferência de Desarmamento. Além dele, o embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani, que antes foi diretor da Organização Internacional para Proibição de Armas Químicas e foi removido do cargo por pressão do governo americano, também tinha o telefone vigiado. O embaixador Bustani tentava negociar com o Iraque, como alternativa à invasão americana em 2002. E finalmente o então embaixador do Brasil em Berlim, Everton Vargas.

A lista revela outra operação, com código S2C51: é a mesma que grampeou três presidentes franceses e tinha como objetivo espionar a evolução financeira mundial. No Brasil, os alvos foram o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa; Luiz Balduíno, atual secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e o sub dele, Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel; um homem identificado como Carvalho, que pode ser Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, chefe de gabinete do ministro da Fazenda até janeiro de 2011. Do Banco Central, foi espionado Luiz Awazu Pereira da Silva, ex-diretor da área Internacional.

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