GM já contabiliza 100 mortes em escândalo de defeito na ignição

A General Motors reconheceu nesta semana que pelo menos 100 pessoas morreram como resultado do defeito no sistema de ignição em modelos fabricados pela montadora entre o final da década de 90 e meados dos anos 2000.

Uma falha nos interruptores de modelos como Cobalt e Malibu levavam a ignição a mudar involuntariamente para fora da posição “ligada”, desabilitando airbags e outras funções.

Acidente com Chevrolet Cobalt por falha na ignição usada pela GM, ocorrido em outubro de 2006, em Wisconsin (EUA), matou duas pessoas
Acidente com Chevrolet Cobalt por falha na ignição usada pela GM, ocorrido em outubro de 2006, em Wisconsin (EUA), matou duas pessoas

 

Conforme apontam as investigações do governo e de outros órgãos americanos, diretores da companhia souberam do problema mais de dez anos antes de iniciarem, em fevereiro do ano passado, o recall de 2,6 milhões de unidades afetadas em todo o mundo.

Segundo relatório do fundo de indenização independente do grupo, dirigido pelo advogado Kenneth Feinberg, pedidos de compensação financeira por 37 mortes e 537 casos de lesões em acidentes ocasionados pela falha permanecem sob avaliação.

De 1º de agosto de 2014 até 31 de janeiro deste ano, período em que ficou aberto o período de apresentação dos pedidos de indenização, 4.342 requerimentos foram contabilizados.

Indenizações aprovadas

Ainda de acordo com o fundo, há pelo menos 12 casos com indenização já aprovada de lesões incapacitantes, como danos cerebrais ou dupla amputação, e 172 para hospitalização ou tratamento médico ambulatorial.

As indenizações por morte serão de pelo menos US$ 1 milhão (cerca de R$ 3 milhões); já as compensações por ferimentos físicos terão piso de US$ 20 mil (R$ 60,3 mil). Para isso, os requerentes devem renunciar dos direitos de litígio (ou seja: retirar qualquer ação judicial contra a fabricante).

No total, a GM reservou US$ 400 milhões (R$ 1,2 bilhão) para bancar as indenizações.

Investigações

Além de problemas com os consumidores, a GM enfrenta uma série de sindicâncias abertas por órgãos americanos como Departamento de Justiça, Congresso e Comissão de Valores Mobiliários, todas por suspeitas de negligência em solucionar o problema na época em que foi descoberto.

Em meados de abril, um juiz decidiu que o pedido de falência de 2009 isentava a montadora das ações judiciais que buscam tornar a GM atual responsável por reivindicações relacionadas a datas anteriores ao pedido de falência, caso do escândalo das ignições defeituosas.

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