“A gagueira não tem graça. A gagueira tem tratamento”, trata campanha da Afams

gagueiraO Página Brazil entrevistou nesta terça-feira (25), a Fonoaudióloga Maria Rita Volpe, que é da diretoria da Afams (Associação dos Fonoaudiólogos de MS), , que falou sobre a Gagueira nas pessoas. A representante da entidade menciona em nosso vídeo, que a Associação, como faz todo mês, lançou uma campanha de divulgação para divulgar e tentar dar conhecimento sobre o assunto, para amenizar a situação. O caso não é visto como tal, e muitas vezes leva as piadas, brincadeiras ou mesmo bullying que podem causar ainda mais ‘perda’ a quem tem o problema. Assim, a campanha tem um slogan que diz muito sobre o tema: “A gagueira não tem graça. A gagueira tem tratamento”.

O vídeo tem detalhamento sobre a Cagueira, com muitas dicas, que podem ser ouvidas ou lidas em descrição abaixo. Maria Rita menciona o slogan, que pode ser visto ao fim do vídeo, acompanhado de diversas explicações que a profissional repassa ao mencioná-lo. Bem como, ela detalha em todo o tempo sobre a questão. “A gagueira é uma interrupção na fluência verbal caracterizada por repetições ou prolongamentos, audíveis ou não, de sons e sílabas. Essas vacilações na fala não são prontamente controláveis e podem ser acompanhadas por outros movimentos e por emoções de natureza negativa, tais como medo, embaraço ou irritação”, menciona.

A Fonoaudióloga lembra que a gagueira, com sua característica interrupção no fluxo verbal, é conhecida há séculos. Mas, que somente foi criado um Dia Internacional de Atenção à Gagueira, em 1998 por associações internacionais. “Todo dia 22 de outubro é celebrado o assunto e assim tornamos o mês de nossa campanha. Desde o início, o Brasil participou das comemorações com diversas ações voltadas para as pessoas que gaguejam, para familiares, para profissionais e para a população em geral por meio da Associação Brasileira de Gagueira (Abra Gagueira), do Instituto Brasileira de Fluência (IBF) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluências. Os Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia, bem como a AFAMS, também promovem campanhas de divulgação e orientação ao público em geral”, explicou..

Exemplos

Os primeiros relatos datam provavelmente dos tempos bíblicos de Moisés, personagem descrito como lento de fala e pesado de língua e que exibia um comportamento de evitação constante.

Outro exemplo, Winston Churchill tinha de ensaiar todos os seus discursos públicos até a perfeição e ainda ensaiava respostas para possíveis perguntas e críticas, a fim de evitar a gagueira. Charles Darwin também gaguejava; curiosamente, seu avô, Erasmus Darwin, tinha o mesmo problema, reforçando a suspeita de que a gagueira se concentra em determinadas famílias e provavelmente possui uma base genética.

A gagueira ocorre em todas as culturas e grupos étnicos, embora as taxas de prevalência possam diferir.

Qual a causa ou as causas da gagueira? Há tipos diferentes de gagueira?

Justamente pela causa não bem definida, a gagueira é mal interpretada. Contudo, abordagens genéticas e neurobiológicas estão nos fornecendo pistas importantes a respeito das causas do problema e de melhores tratamentos.

A gagueira do desenvolvimento surge antes da puberdade, geralmente entre dois e cinco anos de idade. Pode ser passageira ou persistente. A passageira tem associação com a fase final do desenvolvimento de fala, por volta dos três anos de idade, e passar em poucos meses.

A gagueira de desenvolvimento persistente, a dificuldade é particularmente predominante no começo da palavra, em palavras longas ou significativas ou em enunciados sintaticamente mais complexos, e a ansiedade associada ao problema e os sintomas secundários são mais pronunciados.

Além disso, em tarefas de leitura repetida, a frequência da gagueira tende a diminuir, e a se manter nas mesmas sílabas.

Há outro tipo de gagueira, menos frequente, que é decorrente de trauma orgânico, após Acidente Vascular Encefálico, dentre outros.

Qual a ocorrência da gagueira na população e qual o impacto na vida da pessoa?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a incidência da gagueira é de 5%, ou seja, cerca de 10 milhões de brasileiros estão passando por um período de gagueira neste momento. A prevalência da gagueira é de 1%, ou seja, cerca de 2 milhões de brasileiros gaguejam de forma crônica (há anos ou décadas).

Em muitos casos, a gagueira prejudica severamente a capacidade de o indivíduo se comunicar, levando a consequências socioeconômicas devastadoras.
Contudo, há também muitos gagos que, a despeito de seu distúrbio, tornam-se pessoas bem-sucedidas e até famosas.

Como a taxa de recuperação é consideravelmente maior em meninas do que em meninos, a razão homem/mulher aumenta durante a infância e adolescência até alcançar a proporção de 3 ou 4 homens para cada mulher afetada na idade adulta.

Como o fonoaudiólogo pode ajudar as pessoas que gaguejam?

O tratamento pode ser feito em todas as idades. Evidentemente a abordagem é diferente entre crianças, adolescente e adultos.

São enfocados aspetos diversos, como: articulação da fala, coordenação respiratória, postura comunicativa, diminuição dos movimentos associados, dentre outros. A terapia é sistematizada e específica para gagueira. Procure um fonoaudiólogo com experiência na área.

O enfoque também vai depender da gravidade da gagueira, mas todo objetivo é diminuir tanto esta gravidade quanto o impacto desta na vida do indivíduo.

Que dicas você pode dar para pais de crianças pequenas que começaram a gaguejar?

  • Prestar mais atenção ao conteúdo do que a criança está falando do que à forma com que ela o faz; olhar para ela enquanto fala;
  • Ajudar a criança a falar mais suavemente, sem verbalizar isso, mas dando condições;
    Reservar um tempo, diariamente, para dar atenção exclusiva à criança;
  • Fornecer à criança um modelo apropriado de fala; falar mais devagar com ela;
    Favorecer a expressão verbal dos sentimentos;
  • Aceitar as disfluências, não chamar de gaga, pode até explicar que esta fala é da idade e normal;
  • Expressar sentimentos positivos não verbalmente;
  • Não pedir para respirar antes de falar, acalmar-se ou semelhante. A criança não está nervosa!!

Serviço

Esta campanha de divulgação é uma iniciativa da AFAMS, onde que para informações constantes sobre a atuação fonoaudiológica, nas diversas áreas de atuação, colocamos à disposição o site da AFAMS: afams.org.br, onde também é possível ser enviado mensagens, as quais teremos o maior prazer em responder.

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