Gaeco pede prisão de Olarte, João Amorim e afastamento de 17 vereadores na Coffee Break

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), por meio da Procuradoria-Geral de Justiça, pediu o afastamento de vereadores de Campo Grande implicados nas investigações da Operação Coffee Break, e a prisão do prefeito afastado de Campo Grande, Gilmar Olarte, e do empresário João Amorim, acusados de chefiarem uma organização que supostamente teria financiado a cassação do mandato do prefeito Alcides Bernal (PP).

Promotor Marcos Alex Vera
Promotor Marcos Alex Vera

A decisão se acolhe ou não a solicitação está nas mãos do desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva que, até o fechamento desta reportagem, não havia despachado a respeito.

Os dados não são confirmados oficialmente porque a operação corre em sigilo. No entanto, estão na lista com pedidos de afastamento dos cargos 17 dos 23 vereadores que votaram à favor da cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em março do ano passado.

São eles: Carla Stephanini, Edil Albuquerque, Paulo Siufi, Vanderlei Cabeludo, todos do PMDB, Eduardo Romero, Otávio Trad e Flávio César, do PTdoB, Delei Pinheiro, Chiquinho Telles e Coringa, do PSD, Gilmar da Cruz (PRB), Edson Shimabukuro (PTB), Jamal Salem (PR), Waldecy Chocolate (PP), Airton Saraiva (DEM), João Rocha (PSDB) e Carlos Borges (PSB).

Na fundamentação do pedido, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), por intermédio do Ministério Público Estadual (MPE), teria destacado a necessidade da medida cautelar (prisão temporária) de Olarte e Amorim para a instrução do inquérito policial.

INVESTIGAÇÃO

O Gaeco investiga o esquema montado por João Amorim para comprar votos de vereadores no processo de cassação do mandato de Bernal. Ele teria ao lado do outro empresário, João Baird, bancado financeiramente vereadores para deposição de Bernal do cargo. Mas, ainda, não há nenhum pedido de prisão de Baird.

As interceptações telefônicas feitas pelo Gaeco e as compartilhadas pela Polícia Federal apontam para direção de complexo esquema de corrupção, tráfico de influência com objetivo de atender interesses na execução das grandes obras do município por meio de licitações fraudulentas e direcionadas para empresas de João Amorim.

A concretização do plano do empresário só era possível com a troca de prefeito, porque Bernal decidiu excluir as empresas ligadas à administração de Nelsinho Trad (na época do PMDB) para abrir caminho às firmas com quem tinha relacionamento.

O principal prejudicado com Bernal na prefeitura foi João Amorim. Com a certeza de perder muito dinheiro, o empreiteiro partiu pra cima quando a Câmara Municipal instaurou a CPI do Calote, resultando em Comissão Processante e, consequentemente, na cassação do mandato de Bernal. Ele teria chamado os vereadores para negociar o afastamento do prefeito. O Gaeco ainda não deve ter opinião formada sobre quantos milhões de reais foram gastos na compra de votos.

Mas a primeira medida do Gaeco, na Operação Coffee Break, foi afastar dia 25 de agosto Mario Cesar (PMDB) da presidência da Câmara Municipal e suspender o seu mandato com autorização do Tribunal de Justiça até a conclusão das investigações. Além disso, levou coercitivamente (à força) nove

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