Gado furtado é leiloado pela Acrissul por R$ 434 mil

O rebanho envolvido em polêmica decisão da Justiça foi leiloado na terça-feira (27), à noite, pela Corrêa da Costa Leilões Rurais, na Estância Orsi, localizada na saída para Rochedo, em Campo Grande. Foram arrecadados R$ 434.045,00 com a venda de 303 cabeças de gado, de acordo com o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Chico Maia.

Francisco Maia, presidente da Acrissul: "Foi uma iniciativa inédita, com um leilão judicial transparente e sério"
Francisco Maia, presidente da Acrissul: “Foi uma iniciativa inédita, com um leilão judicial transparente e sério”

Na segunda-feira (20), o juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal da Capital, havia determinado a liberdade de 13 integrantes da quadrilha acusada pelo furto dos animais, para que eles pudessem “cuidar” do rebanho, garantindo pasto e alimentação. Mas, dois dias depois, voltou atrás e inverteu a decisão a favor da Acrissul, que assumiu gastos com o transporte e intermediou a negociação. Apesar de rever quem deveria ficar responsável pelo gado, o juiz manteve a soltura dos criminosos.

Do total de bovinos ofertados, foram leiloados 111 machos, arrematados por uma média de R$ 1.422,25 e outras 192 fêmeas vendidas por média de R$ 1.438,41. “Boas médias para gado deste segmento”, observou Chico Maia. O leilão foi dividido em 19 lotes, tendo a leiloeira registrado o arremate por 19 compradores diferentes.

De acordo com o presidente da Acrissul, a Justiça deu o prazo de uma semana para que a associação preste contas sobre as despesas relacionadas ao gado. O valor deverá ser descontado do montante arrecadado no leilão e a diferença depositada em juízo. Chico Maia, estimou gasto de, pelo menos, R$ 3 mil e comemorou o resultado. “Assumimos a questão para agilizar a situação, visto que os animais estavam passando fome em pastos emprestados e para que os bandidos não ficassem com o troféu”, comentou se referindo a primeira decisão do magistrado.

Segundo o presidente, o gado que havia sido recuperado na ocasião da prisão dos ladrões, em março deste ano, ficou disponível para ser reconhecido por possíveis proprietários, mas ninguém apareceu. Além disso, houve dificuldade em identificá-los pela marca dos animais porque as mesmas foram borradas pela quadrilha, justamente para dificultar a identificação.

Caso proprietários apareçam, poderão receber em dinheiro o valor equivalente a cada animal. Foram leiloadas cabeças de gado de diferentes tipos e raças. “O mercado determina quanto vale. Os lances surgem conforme os interesses. Depende dos tipos, se é vaca magra, ou de cria”, exemplificou Maia.

A quadrilha de ladrões de gado foi apontada pela polícia por ter provocado prejuízo de R$ 1 milhão a pecuaristas de Mato Grosso do Sul. Grande parte dos animais furtados não foi recuperada.

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