Funaro apresenta à PF mensagens de Geddel sobre sondagem de fazer delação

TERRA/JN

Depois de revelar em depoimento que sua mulher recebeu seguidas ligações do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o doleiro Lúcio Funaro entregou à Polícia Federal registros para comprovar que os telefonemas foram feitos pelo político que estava interessado em saber se haveria ou não risco de uma delação premiada. Funaro também apresentou cópia de mensagens escritas por sua mulher falando das ligações recebidas.

O operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro (Foto: Ag. O Globo)

Os documentos fazem parte do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e foram tornados públicos anteontem. Segundo registros de ligações feitas via aplicativo WhatsApp, Geddel teria ligado ou tentado ligar para Raquel, mulher de Funaro, nos dias 17, 18, 20, 23, 24, 29 e 31 de maio deste ano, e ainda nos dias 1º e 05 deste mês. Funaro está preso e negocia termo de delação premiada.

Em depoimento prestado à PF informando que estava disposto a colaborar, o operador confirmou que pagou propinas a Geddel, além de relatar arrecadação de recursos desviados da Caixa com conhecimento, segundo Funaro, do próprio presidente Michel Temer.

No telefone de Raquel, o número de Geddel Vieira Lima está gravado nos contatos com o apelido de “Carainho”. Nos registros enviados à PF há ligações completadas, mensagens de áudio, e ligações originadas do celular de Geddel, mas perdidas (não completadas).

Funaro entregou uma mensagem escrita por sua mulher e direcionada a um dos advogados da família. Na mensagem, Raquel conta que recebera ligação de Geddel logo após uma irmã de Funaro ter sido solta por ordem judicial.

“Esses 2 prints acima já te mandei, mas para lembrar que esse foi o dia que saiu a decisão da Roberta (irmã de Funaro) e o sr. nos avisou por volta das 15:00 e ele (Geddel) às 16:09 já estava me ligando para falar que tinha ficado feliz com a decisão que agora o Lúcio ficaria mais calmo com a irmã em casa”.

No depoimento à PF, Funaro disse que não tinha relação próxima com Temer, mas que mantinha contato com Geddel, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. Funaro estima ter pago R$ 20 milhões a Geddel a título de comissão de operações que ele teria viabilizado na Caixa Econômica Federal, banco no qual o ex-ministro já foi vice-presidente.

Funaro diz que foi ele quem apresentou o empresário Joesley Batista a Geddel, quando o ex-ministro exercia o cargo de vice-presidente da Caixa. A J&F tinha interesse em conseguir empréstimos na instituição. Depois disso vieram várias liberações de crédito para diversas empresas do grupo. O operador sustentou que Joesley e Geddel se falavam. Mas quando se tratava de definir o pagamento de propina, a conversa passava por Funaro.

No depoimento, Funaro contou que duas vice-presidências da Caixa estavam sob influência de Geddel e do PMDB: a de Fundos de Governo e Loterias e a de Pessoa Jurídica. A primeira fora comandada por Fábio Cleto, que depois se tornou delator. Segundo ele, Cleto viabilizou desvios no FI-FGTS (Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) que teriam beneficiado, por exemplo, a campanha da chapa vitoriosa da eleição presidencial de 2014, vencida por Dilma Rousseff, e tendo Temer como seu vice.

Ao G1, a defesa de Geddel Vieira Lima afirmou que Lúcio Funaro faz “alegações fantasiosas”.

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